Falando na Assembleia da República perante deputados sociais-democratas, Pedro Passos Coelho traçou uma cronologia de declarações do Governo sobre os pagamentos antecipados ao FMI, começando por referir que em maio o executivo "deu conta que admitia não fazer mais pagamentos antecipados" ao Fundo este ano.

As Finanças, precisou Passos, afirmaram à época que não aconteceria nenhum pagamento antecipado ao FMI para "manter as reservas financeiras confortáveis" enquanto se preparava a injeção de capital na CGD.

"Pouco tempo depois o Governo viu a presidente do IGCP [entidade que gere a dívida pública] afirmar o mesmo numa entrevista ao jornal", vincou Passos, mas em 14 de setembro, o ministro das Finanças considerou "leviano" relacionar a recapitalização da CGD "com as amortizações ao FMI, considerando portanto leviano o que o ministério das Finanças e o IGCP tinham dito" antes.

"Em 06 de novembro as Finanças reafirmaram que não haveria pagamentos antecipados ao FMI. Não foi em maio, não foi em setembro, não foi sequer em outubro, foi este mês", disse o líder social-democrata, referindo-se a palavras de uma "fonte oficial" do ministério - Passos não referiu todavia em que órgão de comunicação social ou documento estava essa passagem.

Contudo, e para mostrar a "manipulação" do Governo nesta matéria, em 22 de novembro, terça-feira, houve "boas notícias".

"Depois de o ministro das Finanças ter dito no parlamento que só haveria lugar à recapitalização da caixa em 2017, o Governo decidiu fazer uma amortização ao FMI, numa atitude que o próprio ministro das Finanças tinha considerado leviana", assinalou Passos.

E foi mais longe: "A leviandade tomou conta da decisão oficial. É assim mesmo, podemos afinal ter uma amortização ao FMI, não no volume que estava inicialmente pensado, mas de cerca de dois mil milhões de euros, porque o Governo fracassou o seu objetivo de recapitalizar a CGD este ano".

Depois, o líder social-democrata acusou o Governo e o primeiro-ministro de terem "muita lata" sobre esta matéria, mas, advertiu, "o excesso de lata diminui a confiança".

"O Governo, é caso para dizer, navega à costa, e não tem estratégia nenhuma, vai fazendo o que as oportunidades permitem", concretizou.

Em jornadas parlamentares do PS na Guarda, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, afirmou na terça-feira que a antecipação pelo Governo do pagamento de duas ‘tranches' ao FMI permitirá uma poupança de 40 milhões de euros em juros e uma "redução sustentada" da dívida.

"Estamos a ter resultados na trajetória definida para uma redução sustentada da dívida a partir do próximo ano e tivemos hoje mais uma boa notícia", declarou o líder dos socialistas.

António Costa afirmou então que, "ao contrário do que alguns precipitadamente anunciaram, o Governo não necessitou de adiar o pagamento das ‘tranches' do empréstimo ao FMI".

"Pelo contrário, foi hoje antecipado o pagamento de duas ‘tranches' de empréstimo ao FMI. Uma antecipação no total de dois mil milhões de euros, que se traduzirá em 2017 e em 2018 numa redução de 40 milhões de euros nos juros a pagar", apontou o primeiro-ministro.

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