Anthony Fauci, um dos mais afamados epidemiologistas dos EUA e que neste momento assessora a Casa Branca, advertiu numa audiência no Senado para as "sérias consequências" de uma reativação apressada da economia em algumas partes do país.

"Isto, paradoxalmente, far-nos-ia retroceder, somando mais sofrimento e mortes que são evitáveis", afirmou o médico num momento em que o seu país regista o maior número de óbitos pelo novo coronavírus à escala mundial: mais de 80.000 mortes.

No entanto, Fauci avisou que o balanço de mortos nos Estados Unidos pode ser superior ao números oficiais, citando como exemplo Nova Iorque, onde pode haver casos de pessoas que morreram de covid-19 em casa, devido à saturação dos serviços de saúde. O caso não é único à metrópole, pois a falta de exames resulta em balanços incompletos em quase todo o país.

A posição do especialista está em clara contradição com o desejo de Trump de retomar as atividades o quanto antes, depois do confinamento ter gerado uma contração do PIB e um disparo da taxa de desemprego para os 14,7%, complicando as suas hipóteses de ser reeleito em novembro.

Por outro lado, Fauci está em sintonia com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pediu na segunda-feira para intensificar a vigilância ao extremo para evitar uma nova onda de contágios de um vírus para o qual ainda não há vacina.

Um dia depois de a França e a Espanha flexibilizarem as medidas de isolamento após dois meses, nesta terça-feira a Rússia juntou-se na suspensão das restrições, apesar de ter mais de 232.000 casos confirmados e estar apenas atrás dos EUA na lista de países com mais infectados.

Salões de cabeleireiro e parques reabriram nesta terça em função das capacidades sanitárias de cada região, mas Moscovo, o epicentro da epidemia no país com mais de 121.000 casos, prorrogou o confinamento até 31 de maio.

A Espanha, um dos países mais impactados pela pandemia, com mais de 26.000 mortos, decretou quarentena a todos os viajantes procedentes do exterior por 14 dias, restringindo também as chegadas de países do espaço Schengen.

A pandemia deixou até agora cerca de 290.000 mortes e contagiou quatro milhões de pessoas em 195 países e territórios, segundo o mais recente balanço da AFP, feito com base em números de fontes oficiais.

Depois dos Estados Unidos, com mais de 80.000 mortos e 1,3 milhão de contágios, os países mais afetados pela pandemia são Reino Unido (mais de 36.000 mortos), Itália (quase 31.000 mortos), Espanha e França (ambos com mais de 26.900 falecidos).

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