Em entrevista à televisão pública francesa France 2, Jean-Yves Le Drian falou de uma “grave crise” na sequência da suspensão do acordo de venda de submarinos franceses, denunciando uma “mentira (…), uma duplicidade, uma grande quebra de confiança” e “desprezo” da parte dos aliados da França.

o ministro dos Negócios Estrangeiros francês disse que “há uma quebra grave de confiança” com os seus “antigos aliados” norte-americanos e australianos e que esta atitude terá influência na avaliação da futura estratégia da NATO.

“As coisas não estão bem entre nós e por isso chamámos os embaixadores [em Camberra e Washington] para mostrar aos nossos antigos parceiros que há um forte descontentamento (…) e para reavaliar a nossa posição para defender os nossos interesses na Austrália e nos Estados Unidos”, acrescentou.

O ministro não poupou críticas à atitude de Washington e Camberra, garantiu que foram avisados apenas uma hora antes do anúncio oficial feito pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison.

Le Drian sublinhou que Biden se comportou da mesma forma que o seu antecessor, Donald Trump, “mas sem os ‘tuits'”.

Joe Biden anunciou na noite de quarta-feira uma parceria estratégica com o Reino Unido e a Austrália, fornecendo submarinos com propulsão nuclear a Camberra.

Embora tenha negado que França esteja a pensar sair da NATO, garantiu que este assunto irá pesar na nova estratégia da aliança que será estabelecida na próxima cimeira de Madrid.

Camberra comprometeu-se em 2016 a comprar 12 submarinos à francesa Naval Group por um valor de 34 mil milhões de euros, num apelidado “contrato do século”, e o revés do contrato, anunciado pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, a partir da Casa Branca na quarta-feira, causou ondas de choque em terras gaulesas.

Na altura, Scott Morrison anunciou o fim deste contrato, entregando a encomenda aos Estados Unidos.??

Os australianos terão justificado a mudança por preferirem agora submarinos a propulsão nuclear, uma tecnologia que o Naval Group não tem capacidade de produzir. No entanto, para a maioria dos observadores, é uma questão política e geoestratégica, com a Austrália a aproximar-se dos parceiros anglófonos.

O Naval Group, que tem uma participação de 62% do Estado francês, já disse que vai pedir uma indemnização, para a qual ainda não há uma estimativa de valor.

Além do contrato para a compra de material de Defesa, o contrato com a França incluía também uma parceria estratégia entre os dois países que deveria durar 50 anos.

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