O texto, apresentado pelo PS, PSD, CDS-PP e Chega, foi aprovado em sessão plenária esta manhã, com a abstenção do BE e da deputada não inscrita Cristina Rodrigues (ex-PAN) e com os votos contra do PAN, que considerou "inaceitável" enaltecer "a cultura da morte e a cultura do sangue".

A nota de pesar apresentada lembra Mário Coelho como um "conceituado toureiro, nome grande da tauromaquia e um dos grandes embaixadores culturais de Portugal no estrangeiro".

De acordo com a nota, o antigo matador de touros alcançou prestígio internacional como bandarilheiro, nas décadas de 50 e 60 do século XX, tendo conquistado o estatuto de "Melhor Bandarilheiro do Mundo".

"Até morrer, Mário Coelho nunca deixou de colaborar com ganadarias e de promover e participar em colóquios e outras atividades culturais. Mário Coelho disse, recentemente, que gostaria de ser recordado como "um homem digno, um homem que traçou um caminho direito e que nunca saiu dele". E assim será", pode ler-se no texto hoje votado.

Antes da votação, o porta-voz do PAN, André Silva, interpelou a mesa sobre a nota de pesar que homenageia Mário Coelho, considerando que "alguém que tem as mãos sujas de sangue não é um embaixador de Portugal".

"Esta é uma consideração política e insultuosa que extravasa o objeto de voto. A mesa tem dois pesos e duas medidas, veta votos com teor humanista e que defende valores universais mas permite votos que enaltecem a cultura da morte e a cultura do sangue, é inaceitável", declarou o dirigente do PAN.

Em resposta a estas críticas, o deputado socialista Pedro Delgado Alves considerou que "não pode valer tudo" e apelou à humanidade do deputado do PAN.

"O facto de em democracia discordarmos da atividade, não nos pode tornar imunes a essa humanidade. Devemos ter a capacidade de não perder a humanidade porque ao reconhecer o pesar há familiares, há amigos, há instituições que carecem de ser respeitados", considerou o deputado socialista.

Pelo CDS, o deputado Telmo Correia, disse não compreender o motivo do recurso apresentado pelo PAN, realçando que o termo "embaixador de Portugal" utilizado na nota refere-se a "alguém que, sendo português, foi uma figura notória" e que "gostando ou não da sua atividade, merece respeito".

Mário Coelho despediu-se das arenas em 1990, na Praça de Touros do Campo Pequeno, e no mesmo ano foi agraciado com a Medalha de Mérito Cultural em 1990, por Pedro Santana Lopes, então Secretário de Estado da Cultura. Em 2005, foi agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito, pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

De acordo com a nota apresentada, Mário Coelho escreveu ainda, em 2005, um livro autobiográfico intitulado "Da Prata ao Ouro", com prefácio de Agustina Bessa-Luís e ainda este ano, António de Sousa Duarte escreveu a sua biografia, apresentada por Manuel Alegre no Campo Pequeno, no Dia da Tauromaquia.

Mário Coelho faleceu no passado dia 05 de julho, aos 84 anos, no hospital de Vila Franca de Xira (Lisboa), onde estava internado, vítima da doença covid-19, informa a nota de pesar.

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