O Partido Trabalhista britânico suspendeu hoje o seu antigo líder Jeremy Corbyn depois de este ter reagido publicamente na sua conta de Facebook face a um relatório da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos, um órgão público independente no Reino Unido.

O relatório dá conta de casos em que a cúpula do Partido Trabalhista liderada por Corbyn minimizou, subestimou ou ignorou as queixas dos seus membros judeus e às vezes interferiu ativamente para proteger certas pessoas acusadas.

A Comissão afirma ainda que, com Corbyn, o Partido Trabalhista foi culpado por três infrações à Lei de Igualdade britânica de 2010 por interferência política nas denúncias, por não fornecer o treino adequado aos que administram os casos de antissemitismo e por intimidação aos denunciantes.

Em reação ao documento, Corbyn escreveu hoje considerar o antissemitismo "absolutamente abominável, errado e responsável pelos maiores crimes da humanidade", que passou toda a vida a apoiar "comunidades e pessoas judias" e quem enquanto líder do Partido Trabalhista, esteve "determinado a eliminar todas as formas de racismo e de erradicar o cancro do antissemitismo".

No entanto, o que causou celeuma é que o ex-líder do partido, apesar de admitir que poderia sempre haver casos de antissemitismo junto dos trabalhistas, considerou que "a dimensão do problema foi dramaticamente exagerada por razões políticas, tanto por oponentes dentro e fora do partido, assim como por grande parte dos media."

Depois deste comunicado, o partido Trabalhista decidiu então suspender Corbyn. "“À luz dos seus comentários feitos hoje e da sua incapacidade em se retratar posteriormente, o Partido Trabalhista suspendeu Jeremy Corbyn enquanto aguarda investigação”, disse o órgão num comunicado, cita a Reuters. A suspensão do partido afetou ainda a sua posição de "whip", deputado responsável por assegurar a disciplina de voto e a comparência dos outros deputados.

Corbyn, entretanto, também já reagiu através das redes sociais à decisão do seu partido, contestando "fortemente" a sua suspensão.

"Eu fui absolutamente claro ao dizer que aqueles que negam que haja um problema de antissemitismo no Partido Trabalhista estão errados. Vou continuar a apoiar uma política de tolerância zero a todas as formas de racismo", escreveu.

O fantasma do antissemitismo tem ensombrado o Partido Trabalhista, de tal forma que, numa suas primeiras ações ao substituir Corbyn em abril, o novo líder trabalhista, o centrista Keir Starmer, desculpou-se diante da comunidade judaica britânica.

É um "dia de vergonha" para o partido, afirmou Starmer nesta quinta-feira após a publicação do relatório, prometendo aplicar todas as recomendações que surgirem desta investigação, realizada durante dois anos.

"Nossa a investigação destacou várias áreas em que a abordagem e a liderança (dos trabalhistas) para abordar o antissemitismo foi insuficiente", afirmou a presidente interina da Comissão, Caroline Waters, ao apresentar o relatório de 129 páginas.

"Isso é imperdoável e parece ser resultado de uma falta de vontade para abordar o antissemitismo em vez de uma incapacidade para fazê-lo", destacou. No entanto, a comissão não iniciou procedimentos legais, mas ordenou ao Partido Trabalhista que redija um plano de ação antes de 10 de dezembro para remediar as suas decisões.

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