O discurso do Secretário-Geral do PS começou pela razão das legislativas, prometendo repetir a ideia durante toda a campanha:: “O PS não desejou estas eleições e não fez nada para que acontecessem”.

“Fizemos tudo para evitar eleições”, disse ainda o socialista que volta a falar na viabilização do presidente da AR, do OE e o chumbo de duas moções de censura. “Só não votámos a moção de confiança porque todos sabiam — e o PM também — que o PS não podia comprometer-se com este Governo”.

“Luís Montenegro sabia e escolheu atirar o país para eleições”, acusou novamente para concluir que “Luís Montenegro esgotou a sua credibilidade”.

“Falta idoneidade ao líder do Governo e falta credibilidade ao projeto que o Governo dizia ter para Portugal”, acusou.

Segue depois para o tema da Saúde onde aponta que é uma das áreas onde o Governo foi “mais incompetente”. “Prometeram que seria fácil e rápido resolver os problemas e depois de 11 meses alguns problemas agravaram-se”, diz.

Fala ainda no “caos” no setor e diz que Fernando Araújo será capaz de dar “segurança”, “estabilidade” e “confiança”.

Acusa também o Governo da AD de “governar para a minoria da população” também na habitação onde diz que a coligação “já adotou a quase totalidade das suas políticas para a habitação e houve uma aceleração dos preços da habitação”, que agravou os problemas do jovens.

Diz ainda que avisou que as medidas que estavam a ser tomadas ia ter este efeito, mas no seu programa não prevê a revogação das medidas de isenção de IMT e impostos selo para os jovens na compra de habitação.

Plano do IRS "saiu furado"

Passa depois ao tema do IRS e fala da promessa de Montenegro de uma “grande redução” dos impostos “sem truques”. Aponta o dedo ao  Governo e diz que fizeram uma tabela de retenção “muito baixa” do IRS, a contar com eleições naquela altura: “Saiu furado porque a responsabilidade do PS fez com que viabilizássemos do Orçamento”.

Porém, diz “tiveram o azar” de ir para eleições no momento em que os portugueses estão a deparar-se com os reembolsos do IRS: “Ao contrário do que acontecia todos os anos, não só não têm reembolsos como muitos vão ter de pagar IRS”.

“É por isso que a avaliação da seriedade do Governo é importante”, diz.

Fala também sobre a "falta de pudor  de um Governo que no exercício de funções e já em gestão usa o dinheiro público e o Estado para fazer propaganda política”

Nega ainda que povo português não quer saber da seriedade: “O povo português liga à seriedade dos político e isso é fundamental para avaliar o Governo”.

O socialista referiu depois que “a inflação abrandou mas os preços não voltaram ao que eram” e por isso defende medidas fiscais que não passam pelo IRS.

“As contas públicas do país dão margem para o Estado contribuir para este objetivo e reduzir impostos. Mas não são os impostos que só uma parte da população paga, mas os que toda a população paga quando compra o essencial”: gás, luz e imposto sobre circulação.

Fala ainda IVA zero permanente, na redução do IUC até 20% para carros mais antigos, o IVA na Luz e a fixação do preço do gás engarrafado.

IVA zero “vem para ficar de vez”

Sobre o IVA zero, Pedro Nuno Santos diz que “vem para ficar de vez” e que, na apresentação do programa, que isso terá impacto nos preços de alguns bens. Nomeadamente: “A carne, o peixe, os ovos, o pão, o leite, o azeite, os legumes a fruta terão IVA Zero para um Governo do PS”.

“Desde o fim do IVA Zero vários produtos sofreram aumentos expressivos e têm pressionado as contas das famílias, sobretudo daquelas em que o orçamento não estica”, disse.

Sublinhou também a taxa de IVA reduzida para potência contratada até 6,9 kVa: “Em 2026, teremos taxa mínima de IVA em todo o consumo de energia elétrica. Passarão a ser mais de cinco milhões de consumidores a pagar o IVA mínimo em toda a conta da luz”.

Quanto ao gás de botija, o líder do PS diz que o apoio que existe “chega a pouca gente e não resolve o problema dos preços”, defendendo que os apoios dados pelo Governo “subsidiam” empresas que praticam preços elevados e por isso o PS quer mexer na fixação do preço.

O discurso segue depois para o tema da habitação e diz que se aposta no parque público de habitação tivesse sido feita “há 30 anos”, o país não estaria na crise em que está hoje.

Defende ainda “fluxo estável de financiamento” de uma política pública de habitação, que possa continuar após o fim do PRR, recorrendo aos dividendos da Caixa Geral de Depósitos que “tem tido lucros elevados”.

Enquanto a dimensão deste parque não for “relevante”, o PS pretende “uniformizar e alargar o acesso aos apoios ao rendimento, partido no Porta 65 e do apoio extraordinário” para as “famílias jovens e as que não são jovens”.

E na saúde?

O discurso toca ainda na à Saúde, onde Pedro Nuno Santos apresenta a medida mais importante do seu programa que é o reforço dos profissionais de saúde nos cuidados de saúde primários e volta a insistir na saúde oral no pacote de cuidados básicos do SNS.

"O próximo governo do PS vai integrar a medicina dentária no SNS e criar a carreira de médico dentista", anunciou. Caso ganhem abrir 350 consultórios em todo o país e vão contratar "os médicos e higienistas que forem necessários".

Por fim, a referência às grandes glórias do PS

Na fase final do discurso, Pedro Nuno Santos falou ainda de António Guterres e António Costa, “dois cidadãos do mundo com mais responsabilidade política mundial” que “, não por acaso, são portugueses e socialistas”.

“Um primeiro-ministro do PS não falha as cimeiras sobre a Ucrânia”, acusou ainda Montenegro comprometendo-se a “levar a sério” o papel que o país na defesa do povo ucraniano.

Concluí ainda que “um primeiro-ministro português não fica a assistir à retaliação irresponsável do presidente dos EUA”: “Responde de imediato, não ficamos para depois de Espanha.”