
Na Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga, na apresentação de Fátima Alves como candidata pela Coligação PSD/CDS-PP – Juntos Pela Nossa Terra, às eleições autárquicas deste ano, o líder dos sociais-democratas associou José Sócrates ao programa eleitoral do PS.
“Hoje, a nossa candidata disse [na sua intervenção] que não estava aqui para fazer falsas promessas, que não estava aqui para prometer aquilo que não podia fazer. É curioso porque ao mesmo tempo que a Fátima [Alves] estava a falar, alguém mais longe, estava a apresentar o programa eleitoral para as eleições legislativas de 18 de maio, e estava precisamente, à boa maneira de um ex-primeiro ministro, chamado José Sócrates, a prometer tudo a toda a gente”, acusou Montenegro, no seu discurso.
Para o também primeiro-ministro em gestão, a política de “prometer tudo a toda a gente” é o caminho para o empobrecimento e para que as dificuldades aumentem no futuro.
“Agora é prometer tudo a toda a gente como se fosse exequível, responsável estar, de um momento para o outro, a prometer e a dar tudo a toda a gente, não tendo consciência que esse é o primeiro passo no caminho para o empobrecimento, no caminho para termos mais dificuldades no futuro do que aquelas que temos hoje de superar”, afirmou o líder do PSD.
Luís Montenegro destacou a importância de o país criar riqueza, pois, se assim não for, não haverá distribuir.
“Se não se criar, não se consegue distribuir. Se se reduzir tudo a distribuir, que é aquilo que o Partido Socialista está a fazer em Lisboa a esta hora, está a distribuir aquilo que não queria, vai esgotar. E quando esgotar, olha para o lado e falta dinheiro. E depois venha o PSD e o CDS para compor a coisa, é normalmente aquilo que acontece”, afirmou o presidente do PSD.
No programa eleitoral hoje apresentado em Lisboa, o PS quer, nomeadamente, um aumento anual do salário mínimo nacional em pelo menos 60 euros por ano, para atingir os 1.110 euros em 2029, e reduzir, de forma faseada, a semana de trabalho para 37,5 horas.
O PS propõe também no programa eleitoral o IVA zero permanente num cabaz de bens alimentares, tal como foi aplicado temporariamente pelo Governo de António Costa devido à inflação, e reduzir esse imposto para 6% na eletricidade até 6,9 kVA.
O partido defende ainda que é preciso “reduzir os impostos com base numa política fiscal inteligente, seletiva, que promova uma distribuição mais equilibrada do rendimento e que estimule o investimento”.
PS “perdido”
Montenegro lembrou que o “impulso foi sempre do PSD”, mas que as decisões de baixar o IRS, em 2024, também foram do PS, liderado por Pedro Nuno Santos, que já acusou a AD de “truque” na redução do IRS, fazendo com que os reembolsos deste ano sejam menores.
“O Partido Socialista, na vontade de dizer mal deste Governo, até se esqueceu que a baixa do IRS em 2024 já estava no Orçamento do Estado de 2024, que foi aprovado ainda pelo Governo anterior do Partido Socialista, e que depois, quando chegamos ao Governo e apresentamos uma proposta para baixar ainda mais o IRS, foi o Partido Socialista com o Chega que aprovaram uma descida diferente daquela que nós queiramos”, recordou o líder do PSD.
Luís Montenegro considera “fantástico e estranho” ver o PS “chateado com aquilo que ele próprio decidiu”.
“É, de facto, uma coisa fantástica. Mas que diz bem de quem está de boa-fé e de quem anda perdido a dizer tudo e o seu contrário. Perdido a prometer tudo e perdido não se dando conta de que está a falar mal de si próprio”, acusou o também primeiro-ministro em gestão.
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