“As pessoas estavam a fugir porque se viram desoladas” e algumas “foram encaminhadas para uma situação que se revelou fatal”, declarou Passos Coelho aos jornalistas, no final de uma visita ao quartel dos Bombeiros Voluntários da Castanheira de Pera.

Questionado sobre explicações para as presumíveis falhas do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), no primeiro dia do incêndio florestal que eclodiu naquele concelho do distrito de Leiria, afirmou não querer “poupar esse papel” ao Governo.

“O país precisa de uma explicação cabal para aquilo que se passou”, no dia 17 de junho, “para que as pessoas reganhem confiança no próprio Estado”, defendeu o presidente do PSD, frisando que “o Estado falhou e ainda está a falhar”.

Segundo Passos Coelho, o PSD “não aparecerá a pedir a demissão” da ministra da Administração Interna ou de outros membros do Governo, mas “não deixará de fazer a imputação de responsabilidades” de natureza política.

Importa, na sua opinião, que os cidadãos “recuperem a confiança no Estado”, depois de “uma tragédia como nunca aconteceu” em Portugal.

Pedro Passos Coelho exigiu ainda do Governo a aprovação de medidas que visem indemnizar as famílias das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande que morreram ou ficaram feridas em espaços públicos.

Antes da visita a Castanheira de Pera, o líder do PSD visitou o Atlético Clube Avelarense, no Avelar, concelho de Ansião, a Câmara Municipal e a Misericórdia de Pedrógão Grande, onde se reuniu com o autarca Valdemar Alves e o provedor João Marques, respetivamente.

Os incêndios que deflagraram na região Centro, há uma semana, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foram dados como extintos no sábado.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios - iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leira, e em Góis, no distrito de Coimbra - corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio de Góis, que também começou no dia 17, atingiu ainda Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais.

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