Após investigação, a AdC concluiu que existem indícios de que as empresas Modelo Continente, Pingo Doce e Auchan utilizaram o relacionamento comercial com o fornecedor Bimbo Donuts para alinharem os preços de venda ao público (PVP) dos principais produtos deste último, em prejuízo dos consumidores", afirmou hoje a Concorrência em comunicado, considerando a conduta em causa "muito grave".

"Perante a nota de ilicitude que nos chegou da AdC, o Pingo Doce repudia a acusação feita e vai contestá-la, não deixando de apresentar os seus argumentos num processo em que estamos seguros da nossa conduta e do nosso trabalho diário para levar até aos consumidores portugueses as melhores oportunidades de preço e promoções, e os maiores descontos", disse fonte oficial da cadeia de supermercados da Jerónimo Martins.

A mesma fonte adiantou que “o Pingo Doce assume o compromisso público de oferecer a melhor qualidade aos melhores preços, com grande resiliência, mesmo nos momentos de crise”, como o que se vive atualmente.

"Os próprios clientes do Pingo Doce reconhecem este esforço consistente e a prova disso é que cerca de metade das nossas vendas totais é feita com produtos em promoção", salientou a fonte.

Auchan também vai contestar a acusação da Concorrência

Contactada pela Lusa, fonte oficial da cadeia de supermercados afirmou: "Confirmamos que a sociedade de advogados que representa a Auchan foi notificada hoje".

"Iremos naturalmente apresentar a nossa contestação, pois as nossas práticas não configuram os atos imputados", acrescentou a mesma fonte.

"Na Auchan são assegurados internamente todos os processos de controlo a fim de evitar qualquer tipo de prática semelhante", salientou.

Os três grupos de distribuição alimentar e o fornecedor de bolos, pães pré-embalados e substitutos do pão, acusados de concertação dos preços praticados ao consumidor, foram objeto de nota de ilicitude há um dia, depois de a investigação concluir existirem indícios da prática de cartel.

"A adoção da nota de ilicitude não determina o resultado final da investigação", ressalva a AdC, esclarecendo que vai ainda ser dada oportunidade às empresas de serem ouvidas e de se defenderem.

Habitualmente num cartel, os distribuidores, não comunicando diretamente entre si, recorrem a contactos bilaterais com o fornecedor para promover ou garantir, através deste, que todos praticam o mesmo PVP no mercado retalhista, uma prática que a terminologia de concorrência designa por 'hub-and-spoke'.

"Os comportamentos investigados duraram vários anos, tendo-se desenvolvido, pelo menos, entre 2004 e 2017", precisa a AdC, explicando tratar-se de uma prática que prejudica os consumidores por limitar a opção de escolha pelo preço, uma vez que aquelas três cadeias de supermercados representam "mais de metade" do mercado da grande distribuição em Portugal.

A AdC diz ter em curso "mais de 10 investigações" no setor da grande distribuição de base alimentar, algumas ainda sujeitas a segredo de justiça, e adianta que a acusação hoje anunciada integra um "segundo conjunto" de casos de 'hub-and-spoke' em investigação, que envolvem a grande distribuição e fornecedores.

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