"Hoje é um dia importante. Portugal, à semelhança daquilo que os outros países têm estado a fazer nos últimos dias, tem um plano para a distribuição da vacina da covid-19", começou por dizer a ministra da Saúde, Marta Temido.

A ministra referiu ainda que o processo começou no verão, para que se possa ter acesso "a vacinas seguras e de qualidade", que serão "um dos instrumentos essenciais para enfrentar esta doença". Depois dos processos de certificação, está previsto que a vacina chegue ao país no início de janeiro.

Marta Temido referiu que o primeiro cenário, em Portugal, envolve "vacinas a distribuir no Serviço Nacional de Saúde, com carácter universal, gratuito e administradas de acordo com o resumo de características do medicamento".

As vacinas serão "distribuídas em vários pontos do Serviço Nacional de Saúde, utilizando o mais possível aquilo que é a cadeia do SNS, depois eventualmente expansível a outros pontos do sistema, com uma logística segura e com registos que permitam a cada momento seguir e monitorizar o processo nas suas várias dimensões", detalhou.

"Este é um momento da maior importância e um momento, apesar de tudo, em que não nos podemos distrair de que a disponibilização de vacinas vai precisar de continuar a ser acompanhada durante largos meses", frisou a ministra.

Rui Ivo, presidente do Infarmed, também presente na conferência, referiu que o processo até à chegada da vacina "resulta de uma estratégia que foi coordenada no âmbito da União Europeia, sancionada pelos ministros da Saúde da UE, em junho de 2020", de forma a "garantir a qualidade e a segurança das vacinas", tal como acontece com qualquer medicamento, assim como "garantir o acesso de todos os estados-membros e da sua população ao mesmo tempo".

O presidente do Infarmed explicou que, devido à "incerteza" inerente à covid-19, foi necessário garantir "um portfólio" de vacinas, pelo que várias serão consideradas no país. Neste momento estão concluídos, em Portugal, seis acordos: AstraZeneca (6,9 milhões), Sanofi e GSK (sem doses definidas), Johnson & Johnson (4,5 milhões), Pfizer (4,5 milhões), CureVac (entre 4 a 5 milhões para Portugal) e Moderna (1,8 milhões).

Por sua vez, Francisco Ramos, coordenador do grupo de trabalho criado pelo governo para definir o plano de vacinação, explicou que está em causa um "estratégia de vacinação com a definição de grupos prioritários, um plano de administração das vacinas, um plano logístico, um plano de segurança, a monitorização clínica e a comunicação aos cidadãos".

Objetivos do plano de vacinação:

  • "Reduzir a mortalidade e os internamentos, sobretudo em unidades de cuidados intensivos", aliviando "a pressão no SNS";
  • "Controlar os surtos, sobretudo nas populações mais vulneráveis, controlando o impacto no SNS e na economia";

A administração da vacina: 

  • "Universal, gratuita, facultativa e disponibilizada a toda a população de acordo com as características que sejam aprovadas";
  • Grupos prioritários para a 1.ª fase: 
    • Pessoas com 50 ou mais anos com insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatória;
    • Pessoas residentes em lares e internadas em unidades de cuidados continuados e respectivos profissionais;
    • Populações mais vulneráveis, como os idosos;
    • Profissionais de saúde directamente envolvidos na prestação de cuidados;
    • Forças de segurança genericamente de serviços essenciais.
  • Grupos prioritários para a 2.ª fase:
    • Pessoas com mais de 65 anos sem patologias associadas;
    • Pessoas com mais de 50 anos, mas com um leque mais alargado de patologias associadas, como diabetes, neoplasia maligna activa, doença renal, insuficiência hepática, obesidade, hipertensão arterial, entre outras.

Quantas pessoas vão ser vacinadas e quando?

Na apresentação do plano, Francisco Ramos estimou que sejam vacinadas 950 mil pessoas numa primeira fase, sendo 250 mil o grupo dos lares, 400 mil as pessoas com mais de 50 anos e comorbilidades associadas e 300 mil profissionais.

Na segunda fase serão vacinadas 1,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Quanto à terceira fase, esta será "para o resto da população", sendo que tudo depende do "ritmo de abastecimento" de vacinas.

"Num cenário optimista, a primeira vaga de vacinação ocorrerá entre janeiro e fevereiro. Naquele que será o cenário típico, janeiro a março. Se de facto as coisas correrem pior do que o que está programado em termos de entrega, janeiro a abril. Aquilo que se pode dizer com segurança é que em janeiro estaremos em condições de iniciar o processo de vacinação", explicou.

O coordenador do plano de vacinação referiu ainda que é necessário ter a garantia de quem quem leva a primeira dose da vacina tem acesso à segunda dose, garantindo que há correspondência entre as marcas e vagas nos locais onde esta pode ser tomada.

A operação logística da vacinação contra a covid-19 vai ser “mais robusta” e centralizada do que habitualmente, funcionando numa “lógica de comando e controlo”, explicou o coordenador da ‘task-force’.

A vacinação contra a gripe, por exemplo, ocorre num processo descentralizado, regionalizado e próximo dos locais de vacinação.

Ao contrário, no caso da vacina contra a covid-19, esta nova operação será centralizada, naquilo que o coordenador descreveu como “uma lógica de comando e controlo”.

Costa avisa que vacinação será desafio difícil e com "imponderabilidades" externas

O primeiro-ministro advertiu que o processo de vacinação terá imponderabilidades externas a Portugal, sendo também complexo ao nível interno, com as dificuldades a aumentarem quanto maior for o universo de cidadãos a vacinar.

"Há agora uma luz ao fundo do túnel, mas o túnel é ainda muito comprido e bastante penoso. Portugal irá adquirir 22 milhões de vacinas, mas essa quantidade de vacinas não chega automaticamente no primeiro dia. Vão chegando escalonadamente e gradualmente ao longo de todo o ano de 2021", declarou o líder do executivo.

António Costa salientou que a operação de vacinação vai desenvolver-se ao longo do ano e não se concentrará apenas num primeiro momento.

Sobre os critérios para a escolha dos grupos de vacinação, o primeiro-ministro afirmou que estes serão transparentes na definição das prioridades na administração da vacina contra a covid-19, estando nas primeiras categorias os profissionais de serviços essenciais e as populações mais vulneráveis, como os idosos.

"É importante que com toda a transparência sejam definidos os critérios de prioridade na administração da vacina", declarou. De acordo com o primeiro-ministro, os critérios propostos pela comissão para a vacinação contra a covid-19 "são claros".

"Em primeiro lugar, vamos proteger quem nos pode proteger, ou seja, os profissionais de saúde, os trabalhadores dos lares, as Forças Armadas e forças de segurança, aqueles que são fundamentais em todos os serviços essenciais", justificou.

Em segundo lugar, de acordo com o líder do executivo, estão "as populações mais vulneráveis, seja por fator etário, seja por comorbidades associadas", ambos grupos de risco.

"É um critério claro, transparente e que todos compreendemos", defendeu.

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