O Janusz Korwin-Mikke é um nome desconhecido da maioria dos portugueses, mas bem conhecido no Parlamento Europeu pelas suas opiniões e comentários racistas, sexistas e antissemitas. Ontem o polaco voltou a protagonizar uma nova polémica ao afirmar que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são "mais fracas, mais pequenas, menos inteligentes".

Korwin-Mikke proferiu estas declarações no plenário do Parlamento Europeu que discutia as disparidades salariais entre homens e mulheres, um valor que se situa atualmente nos 16%, em média na Europa. Na sua intervenção, o eurodeputado polaco que se define a si próprio como um "conservador libertário" afirmou: " Sabe que papel ocupavam as mulheres nas Olimpíadas gregas? A primeira mulher, digo-lhe eu, ficou em 800º lugar. Sabe quantas mulheres existem entre os primeiros cem jogadores de xadrez? Vou-lhe dizer: nenhuma".

As declarações foram proferidas na presença da comissária europeia para a Igualdade de Género, Vera Jourová. A eurodeputada espanhola do PSOE, Iratxe García, pediu de imediato a palavra, após as declarações do polaco: "Repare sehor deputado. De acordo com as suas teorias, eu não teria direito a estar aqui como deputada. Eu sei que lhe custa que as mulheres possam estar aqui hoje a representar os cidadãos em igualdade de circunstâncias. Eu estou aqui a defender as mulheres europeias de homens como você".

Já durante o dia de hoje, o líder dos socialistas no Parlamento Europeu, Gianni Pittella, pediu "uma sanção exemplar contra as declarações vergonhosas de Korwin-Mikke, que vão contra os princípios de igualdade de género desta casa". O presidente do Parlamento Europeu, o também italiano Antonio Tajani, também reagiu e anunciou uma investigação ao político polaco.

O deputado polaco tem tido um percurso atribulado no Parlamento Europeu. São vários os episódios polémicos e que surpreenderam o plenário, como por exemplo quando, a propósito da política europeia para resolver a crise migratória, apelidou os refugiados de "lixo humano": "É uma política ridícula que faz com que a Europa acabe inundada de lixo humano. Deixe-se claro: lixo humano que não quer trabalhar".

Em 2012, foi multado por comentários racistas contra os negros e também em 2015, por ter feito uma saudação nazi ao entrar no hemiciclo. Como avança o espanhol  El País, na altura, ganhou uma multa de 3 mil euros e perdeu 10 dias de salário, por provocação. Ficam registados outros episódios controversos, como quando acusou a União Europeia de ser um projeto comunista e dirigido por maoístas, uma crítica ao presidente da Comissão Europeia da altura, o português Durão Barroso.

Nos últimos anos, o parlamento europeu registou um aumento da participação de partidos de extrema-direita, representados principalmente pelo Grupo Europa das Nações e da Liberdade.  É liderado por Marine le Pen, candidata às eleições presidenciais francesas e que conta com 42 eurodeputados. Já o Janusz Korwin-Mikke faz parte dos 18 que se inserem no grupo dos não inscritos, um conjunto de deputados independentes que não pertencem a qualquer outro grupo presente no parlamento.

"Esta é a contradição da própria democracia, onde podem estar representados até quem não acredita no projeto. Estes deputados antieuropeístas não acreditam nos valores que defendemos, mas têm voz para o poder dizer. E eu aceito que o tenham, mas dentro de limites", defende a eurodeputada Iratxe García.

Korwin-Mikke foi candidato à presidência da Polónia em 2015, tendo obtido apenas 4,8% dos votos. Defende a monarquia, a pena de morte, está no terceiro casamento e tem oito filhos. Está no Parlamento Europeu desde 2014 tendo o seu partido obtido 7,2% dos votos e supreendentemente conseguido o maior apoio dos eleitores jovens na Polónia. Na faixa etária dos 18 aos 25 anos, o partido de Korwin-Mikke obteve 28,5%, valor que não foi ultrapassado por nenhum outro partido.

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