As manifestações na Região Administrativa Especial de Hong Kong assinalaram os 23 anos da transferência de soberania (01 de julho de 1997) desafiando a nova legislação de segurança nacional aprovada terça-feira pela Assembleia Nacional Popular, em Pequim.

Os manifestantes foram detidos “por participação em concentrações não autorizadas, perturbação da ordem pública, posse de ‘armas perigosas’, entre outras infrações”, referiu a polícia do território através da rede social Twitter.

De acordo com a mesma mensagem, sete pessoas foram detidas por “alegadamente” terem violado a lei de segurança nacional.

Poucas horas antes desta mensagem, a polícia comunicava a primeira detenção por violação da nova legislação que já foi promulgada pelo chefe de Estado Xi Jinping.

O primeiro detido transportava um cartaz com a palavra de ordem “independência para Hong Kong” escrita em chinês e inglês.

Hoje, um forte dispositivo policial foi projetado nas ruas da cidade na mesma altura em que se organizavam as tradicionais manifestações que marcam todos os anos a data da transferência da ex-colónia britânica para a China.

Pela primeira vez os desfiles e manifestações de 01 de julho foram proibidos pelas autoridades.

Para a oposição política de Hong Kong a nova legislação constitui um sério retrocesso em matéria de direitos, liberdades e garantias.

Durante as manifestações a polícia de Hong Kong dispersou com jatos de água os grupos de manifestantes.

Um camião, equipado com um canhão de água, disparou vários jatos que foram misturados com uma solução de pimenta irritante, atingindo repetidamente manifestantes e jornalistas, que estavam reunidos em Causeway Bay, no centro da cidade.

Entretanto, o governo da República Popular da China disse que a lei de segurança nacional de Hong Kong, “fortalece a fórmula ‘um país, dois sistemas'”, além de garantir “prosperidade e estabilidade” na região.

“A legislação é a segunda mais importante depois da Lei Básica [a miniconstituição da cidade], e é um marco na política do Governo central em relação a Hong Kong”, apontou o vice-diretor do Gabinete de Ligação de Pequim em Hong Kong, Zhang Xiaoming.

Zhang definiu o texto como uma “abordagem firme e flexível da situação na cidade” considerando ”normal que as pessoas em Hong Kong tenham dúvidas” sobre a lei, mas enfatizando que a lei ”vai fortalecer claramente” o modelo de governação ‘um país, dois sistemas’, que garante a autonomia da cidade em relação à China continental.

Da mesma forma, o Governo de Macau manifestou “forte apoio à legislação” aprovada por Pequim para Hong Kong, elogiando a “defesa resoluta da segurança nacional”.

Em comunicado, as autoridades da Região Administrativa especial de Macau consideram que “esta medida se reveste de extrema importância para a estabilidade social de Hong Kong”, que também beneficia de um estatuto semi-autónomo, à semelhança do antigo território administrado por Portugal.

“A defesa da segurança nacional garante a estabilidade do país a longo prazo, bem como a prosperidade e estabilidade das duas regiões administrativas especiais, sendo, por isso, uma exigência natural, que abrange os deveres de todo o povo chinês, incluindo os compatriotas de Hong Kong e Macau”, pode ler-se na mesma nota divulgada na terça-feira à noite.

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