Após a cerimónia da tomada de posse, as televisões mostraram-nos Donald Trump no seu primeiro acto oficial rodeado da família e dos colaboradores mais diretos do seu gabinete a assinar um conjunto de despachos com as nomeações da sua equipa. Junto a ele, três crianças brincam, distraídas, com uma caixa onde estão três canetas. Trump assina os primeiros seis despachos com a primeira caneta e entrega-a a um membro do staff. Inicia a próxima ronda de assinaturas com a segunda caneta e murmura alguma coisa sobre serem necessárias mais canetas. Mais alguns despachos e oferece a primeira caneta à sua esquerda. Mike Pence, o seu vice, aproxima-se e ouve-se de novo uma frase a meia voz sobre as canetas. Chega mais uma caixa cheia de canetas e a partir daí, inicia-se um desfile de oferta de canetas.

Por cada despacho, o agora presidente dos Estados Unidos usou uma caneta que entregou depois a várias pessoas presentes na sala. Esta é uma tradição que remonta aos mandatos de Franklin Roosevelt, nos anos 30 do século XX.

Coube a Franklin Roosevelt iniciar esta tradição durante os seus mandatos entre 1933 e 1945. De acordo com o livro “To Serve the President: Continuity and Innovation in the White House Staff”, de to Bradley H. Patterson's, o presidente usou várias canetas para assinar leis de “elevado interesse público” nas cerimónias oficiais de assinatura na Casa Branca.

Ou seja, cada caneta passou a ser associada a um determinado momento solene em que oficializava uma decisão entendida como de grande importância para o país. E o que fazia o presidente às canetas? Oferecia-as, de acordo com a tradição de Roosevelt. Os presidentes “ofereciam as canetas como souvenirs comemorativos aos membros do Congresso ou outros dignatários cuja atuação tivesse sido importante na legislação em causa. Cada caneta era oferecida numa caixa especial com o selo presidencial e o nome do presidente que a tinha usado”.

Uma informação que a revista Time complementou, explicando que “quantas mais canetas um presidente usa, mais presentes de agradecimento ele pode oferecer àqueles que ajudaram a criar uma parte da História”.

Obama, por exemplo, usou quase duas dúzias de canetas quando, em 2010, assinou uma das leis mais emblemáticas - e polémicas - dos seus mandatos, a da reforma do sistema de saúde que se tornou conhecida como Obamacare. Mas esta é uma tradição que está longe de ser consensual. Antes de Obama, George W. Bush nunca usou mais do que uma caneta nas assinaturas de despachos presidenciais - nem mesmo no também polémico despacho sobre a segurança nacional. Em 1996, Bill Clinton usou quatro canetas quando assinou o Line-Item Veto, uma legislação que autoriza o veto presidencial parcial que permite ao presidente rejeitar determinadas disposições de uma lei aprovada pelo poder legislativo sem vetar todo o pacote legal. Nessa ocasião, Clinton ofereceu as quatro canetas a quatro ex-Presidentes: Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan e George H.W. Bush. Mais atrás na história, Lyndon Johnson assinou uma das leis mais fundamentais da América do século XX -  o Civil Rights Act de 1964 - usando mais de 75 canetas e tendo oferecido uma delas a Martin Luther King Jr. além de dois senadores Hubert Humphrey e Everett McKinley Dirksen pela ajuda com a lei no Congresso.

Além do valor histórico, ou por causa do valor histórico, as canetas têm também valor material. Não é comum serem colocadas à venda, mas nos anos mais recentes já aconteceu serem encontradas canetas presidenciais à venda por 500 dólares na internet.

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