1. Há um plano global que quer proteger pelo menos 30% das terras e da água da Terra até 2030

Planeta A

Uma volta ao mundo centrada nos temas que marcam.

Todas as semanas, selecionamos os principais trabalhos associados à rede Covering Climate Now, que o SAPO24 integra desde 2019, e que une centenas de órgãos de comunicação social comprometidos em trazer mais e melhor jornalismo sobre aquele que se configura como um tema determinante não apenas no presente, mas para o futuro de todos nós: as alterações climáticas ou, colocando de outra forma, a emergência climática.

Uma nova iniciativa, liderada pela Grã-Bretanha, Costa Rica e França quer proteger pelo menos 30% das terras e da água da Terra até 2030. Com um milhão de espécies em risco de extinção, os países percebem que a perda de biodiversidade é um resultado e um impulsionador da mudança climática. 

O objetivo é chegar a um acordo global nas negociações a serem realizadas na China ainda este ano, projetado para manter áreas naturais intactas, como florestas antigas e pântanos que nutrem a biodiversidade, armazenam carbono e filtram a água.

Como relata o New York Times, os povos indígenas estarão na linha da frente, juntando-os a conversas e formulação de planos de que foram privados ao longo dos anos. “A natureza é mais saudável em mais de um quarto das terras que os povos indígenas administram ou possuem, de acordo com vários estudos científicos. As terras administradas por indígenas no Brasil, Canadá e Austrália têm tanta ou mais biodiversidade do que as terras reservadas para conservação pelo governo federal e outros governos, descobriram os investigadores”, relatam os jornalistas no artigo. 

Para ler na íntegra em New York Times 

Tempestade Barry

2. Costa do Louisiana perde um campo de futebol a cada hora

A "bota" (formato do estado) do sul do Louisiana perde o equivalente a um campo de futebol de costa a cada hora e, em 2050, o estado pode perder totalmente um terço da sua costa, ao mesmo tempo que danifica gravemente os ecossistemas locais, dizimando as receitas de turismo do estado e forçando milhões de pessoas a saírem das suas casas. 

O Grist relata que o estado está a planear uma série de projetos de mais de mil milhões de dólares para reverter a situação. Neste mês, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos aprovou o primeiro, que aproveitará a força do rio Mississippi para construir novas terras ao longo da costa. O dinheiro para financiar o projeto vem das compensações feitas pela BP, na sequência do derrame de óleo da Deepwater Horizon em 2010.

Para ler na íntegra em Grist 

3. As lições que um cientista do clima aprendeu sobre o planeta em tempos de Covid-19

Num artigo do The Conversation, Piers Forster, professor de Alterações Físicas do Clima e diretor do Priestley International Center for Climate da Universidade de Leeds, refere as três principais conclusões a que chegou sobre o estado do planeta nos últimos anos, em especial referente ao impacto da pandemia e dos confinamentos. 

Explica como é que a ciência climática pode operar em tempo real, ou seja, oferecer soluções práticas para monitorizar as emissões de gases de efeito de estufa, por exemplo. Refere ainda que os confinamentos não são um plano de ação climática eficaz.

Para ler na íntegra em The Conversation 

4. Um distrito escolar americano está a transformar energia solar em aumento de salários 

O correspondente da CBS News Ben Tracy visitou uma zona no Arkansas em que foram instalados painéis solares para fornecer energia às escolas. A poupança da geração de eletricidade permitiu aumentar os salários dos professores até 15 mil dólares (cerca de 12,6 mil euros).

Mais de 7 mil escolas nos Estados Unidos também aderiram a esta ideia, instalando painéis solares. Isto traduz-se num aumento de 81% em apenas cinco anos. Mas o correspondente diz que Batesville, no Arkansas, é o único distrito que “transformou painéis em cheques”.

Para ver na íntegra em CBS News

créditos: 24

Por cá: Portugal tem menos de 10 anos para cortar as emissões em 74% 

Portugal tem até 2030 para cortar em 74% as emissões nacionais de gases poluentes dos 68 milhões de toneladas de CO2 equivalente, registados em 2018, para apenas 18 milhões de toneladas no final desta década. Quem o diz é o Acordo de Glasgow, um movimento internacional pela justiça climática que se tem focado em pressionar os governos e instituições para agirem perante a crise climática. 

“A nossa casa está a arder e cada vez mais rápido”, diz a porta-voz do Acordo de Glasgow em Portugal Mariana Rodrigues, em conferência de imprensa. 

Entre os maiores poluentes a nível nacional estão empresas ligadas aos setores dos transportes e da indústria energética, como a Refinaria de Sines, que está em primeiro lugar. Esta é uma das conclusões do inventário nacional de emissões desagregadas de gases com efeito de estufa lançado nesta sexta-feira, que afirma ainda que há mais de 250 infraestruturas responsáveis pelas maiores emissões. Este mesmo inventário foi realizado por mais de 140 organizações de mais de 40 países em todo o mundo.

Segundo o relatório de 2018 do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) é necessário cortar em 50% as emissões globais de gases com efeito de estufa até 2030, em relação aos níveis de 2010, para evitar o aumento da temperatura acima dos 1,5ºC. O Acordo de Glasgow considera que a redução tem de ser ainda maior e cair para as 32,6 gigatoneladas de CO2 equivalente. 

Sobre os transportes, o relatório aponta o dedo ao facto de Portugal ter como principal meio de transporte o individual, referindo ainda que as emissões da TAP e o Aeroporto de Lisboa como um todo também trazem um grande contributo para as emissões nacionais. 

Do top 10 de infraestruturas com mais emissões em Portugal (entre 2017 e 2019), o inventário inclui as seguintes estruturas, com refinarias, gás e matadouros em posições altas:

Top 10 poluentes
créditos: Acordo de Glasgow

Os ativistas pretendem não só tornar esta ferramenta de acesso público, mas também elaborar um plano de ação a partir das informações recolhidas. Em mente têm a justiça climática e uma transição justa, fazendo “os cortes necessários, tendo em conta o contexto social”, refere Antónia Seara, porta-voz do Acordo de Glasgow em Portugal. 

“Neste momento, não há nenhum país que esteja a fazer o necessário para reduzir as emissões. A maior parte das instituições está em negacionismo, com países a não terem reduções de 1%”, afirma Mariana Rodrigues. 

O documento destaca o facto de “para travarmos a crise climática nenhum projeto ou infraestrutura de combustíveis fósseis, tal como qualquer projeto ou infraestrutura que contribua para o aumento das emissões, pode ser desenvolvido”. Para tal, dão como maus exemplos a expansão do Aeroporto de Lisboa, o novo aeroporto de Lisboa, o gasoduto de Celorico, a expansão de portos e/ou drenagens (Sines, Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Aveiro), a prospeção e exploração de lítio e outros minerais, a exploração de pedreiras, as novas ligações rodoviárias, os diversos projetos no âmbito de hidrogénio verde e as novas instalações avícolas.

O inventário continuará a ser desenvolvido ao longo do tempo, estando em constante atualização. “O inventário é apenas o mapa do fogo”, acrescenta Antónia Seara. 

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