Num debate transmitido na TVI24, com os candidatos em pé, André Ventura acusou João Ferreira de ter no seu site de candidatura referências elogiosas a regimes como a Coreia do Norte, Cuba ou Vietname, o que levou o dirigente comunista a desafiá-lo a provar essas acusações “para não passar por mentiroso”.

Ventura diria depois que essas referências estavam no site do PCP e, mais tarde, que teriam sido “apagadas”.

João Ferreira criticou que André Ventura vá ter na sua campanha a líder da extrema-direita e presidente da União Nacional francesa, Marine Le Pen, com o seu adversário a perguntar se preferia ter ao seu lado o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-Un.

Nos temas concretos colocados pela moderadora do debate, a jornalista Carla Moita, os dois candidatos a Belém estiveram quase sempre em discordância total.

Sobre o caso do procurador europeu José Guerra, André Ventura defendeu que a ministra da Justiça já não deveria estar em funções - tal como o ministro da Administração Interna -, enquanto João Ferreira disse ser necessário esclarecer se “houve intenção deliberada” de prestar informações falsas à União Europeia por parte do Governo.

“A ministra da Justiça irá à Assembleia da República, vamos ver se o André Ventura lá está, já sei que falta muito”, acusou o dirigente do PCP, recebendo de volta a crítica de que estava a “ser cúmplice do Governo”.

“Marcelo Rebelo de Sousa, se fosse um Presidente a sério, hoje teria dito que seria o último dia da ministra da Justiça em funções”, contrapôs Ventura, considerando que o chefe de Estado não serve “para tirar ‘selfies’ ou cortar fitas”.

O candidato apoiado pelo PCP acusou o deputado e líder do Chega de “não usar para si os critérios que usa para os outros” e que, depois de ter garantido que estaria em exclusividade no parlamento, ter acumulado salários como consultador e comentador desportivo, com Ventura a contestar a crítica.

“Continua a inventar”, ia dizendo Ventura, durante a intervenção de João Ferreira.

Sobre o diploma da eutanásia, que poderá chegar em breve a Belém, Ventura disse que convocaria um referendo, considerando que “o PCP tem medo de ouvir os portugueses”, enquanto João Ferreira assegurou que “respeitaria a vontade da Assembleia da República”, que deverá aprovar a legalização da morte assistida.

Questionados em que situações admitiam dissolver o parlamento, o candidato apoiado pelo PCP garantiu que “não abdicaria de usar nenhum dos poderes que o Presidente da República tem”, nomeadamente se considerasse que estavam em causa direitos garantidos pela Constituição, como a saúde ou a educação, mas admitindo que tal não se verificou no período do primeiro mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.

Já André Ventura - que se referiu mais vezes ao atual Presidente da República do que João Ferreira no debate - considerou que o atual Governo “já passou linhas vermelhas importantes”, como nos incêndios de 2017 que causaram mais de cem mortes ou no caso do Tancos.

“Eu não gosto desta Constituição, nunca escondi”, afirmou, defendendo que o chefe de Estado deveria ter mais poderes, por exemplo, em matéria de escolhas ministeriais.

Na fase final do debate, em que Ventura já tratava João Ferreira por tu, o líder do Chega desafiou o seu adversário a condenar o regime da Coreia do Norte.

“Eu defendo o direito de cada povo escolher livremente o seu destino”, respondeu João Ferreira, lamentando que André Ventura tivesse de ir buscar situações de outros países para o criticar.

As últimas palavras do dirigente comunista foram para acusar Ventura de “estar ao lado dos poderosos” e de lhe apontar incongruências na votação da proposta para travar uma nova injeção de dinheiro público no Novo Banco, no último debate orçamental.

“Quem em 24 horas exerce todos os votos possíveis sobre o mesmo assunto, está tudo dito sobre a sua credibilidade”, criticou.

Além de André Ventura e João Ferreira, são candidatos às eleições presidenciais de 24 de janeiro Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes, Marisa Matias, Tiago Mayan e Vitorino Silva.

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