Kolinda Grabar-Kitarovic iniciou hoje uma visita de Estado de dois dias a Portugal e foi recebida esta manhã no Palácio de Belém por Marcelo Rebelo de Sousa para conversações, seguida de uma declaração aos jornalistas.

Estavam ainda agendados um encontro com o primeiro-ministro António Costa e deslocações à Assembleia da República e à Câmara Municipal de Lisboa.

“A Croácia apoia a manutenção dos fundos europeus tradicionais, sejam fundos de coesão ou para a agricultura, que permitam aos nossos países um aumento do desenvolvimento igual aos restantes”, assinalou a Presidente croata nas suas declarações e após a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, exprimindo-se na sua língua e com tradução para português.

“Deveríamos conseguir anular as diferenças que ainda se notam nas sociedades e países da Europa, sobretudo nos nossos países, que não tiveram oportunidade de viver durante tanto tempo, como outros países da UE, numa sociedade de democracia e economia de mercado”, prosseguiu.

A Presidente croata também detetou um “grande espaço” para o desenvolvimento das relações bilaterais e recordou que o acordo de cooperação bilateral hoje assinado, que abrange as áreas da língua, ciência, educação, cultura e deporto para o período 2018-2020, permitirá “o fortalecimento da democracia e o reforço da amizade e cooperação” entre Lisboa e Zagreb.

“É a única forma de combater o populismo e outras tendências negativas que hoje notamos na União Europeia e que provocam uma grave erosão nos princípios europeus”, considerou Kolinda Grabar-Kitarovic.

Neste contexto, destacou a organização do Fórum Económico Croácia-Portugal, que decorre hoje e “abrirá novos espaços para a cooperação entre diversas indústrias, incluindo a indústria naval, alta tecnologia e troca de conhecimentos nas áreas em que as economias portuguesa e croata possam contribuir para o aumento da cooperação económica dos últimos anos”.

A Croácia, cuja independência da ex-Jugoslávia foi legitimada na cimeira do Conselho Europeu de Lisboa em 1992, como recordou, aderiu à UE em 2013 e vai assumir a presidência rotativa no primeiro semestre de 2020.

“Teremos muitos desafios na agenda, incluindo uma perspetiva financeira a longo prazo”, admitiu a chefe de Estado croata, que estabeleceu como prioridades o “crescimento económico e emprego de jovens”, para além de uma atenção redobrada nas áreas dos transportes, energia, segurança, e no processo de alargamento da União em particular à região dos Balcãs ocidentais, área geográfica onde a Croácia se insere.

“Também prosseguiremos a prática de encontros e cimeiras ao mais alto nível”, frisou.

A crise migratória foi outro aspeto sublinhado pela Presidente da Croácia no final da sua declaração.

“Estamos a enfrentar vários desafios, em que se incluem as migrações, que devem ser resolvidos na sua origem e não num contexto de crises, conflitos e guerras”, disse.

“E temos de resolver as crises nos países de onde provêm os migrantes, incluindo o analfabetismo, radicalização de ideologias políticas, falta de água, falta de meios”.

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