O anúncio foi feito pelo chefe de Estado durante a cerimónia de encerramento das comemorações dos 10 anos da Associação Cultural Ephemera, que decorreu no Barreiro (distrito de Setúbal).

Hoje, a Ephemera inaugurou também um novo polo onde está disposto espólio doado à associação, no Parque Empresarial da Baía do Tejo, também no Barreiro.

Marcelo Rebelo de Sousa entregou a condecoração a José Pacheco Pereira, mas assinalou que esta organização e o seu trabalho é "o triunfo de um coletivo" que está a ajudar a "construir Portugal", o "Portugal de Abril, Portugal democrático".

De acordo com o 'site' da Presidência da República, a Ordem do Mérito "destina-se a galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade".

José Pacheco Pereira agradeceu "este reconhecimento do mérito" da associação que fundou e brincou, acrescentando, "sem nenhuma arrogância, que é merecido", não por sua causa, mas pelo esforço das pessoas que ajudam a que a Ephemera seja uma realidade.

Na opinião de Marcelo, a Ephemera é "o retrato de José Pacheco Pereira" de "sensibilidade cívica, no espírito de liberdade, na independência crítica".

Pacheco Pereira "gosta de ter mais informação e gosta de divulgar a informação e gosta de partilhar e gosta de recolher e gosta de ter muitos amigos", acrescentou.

"Isso é uma riqueza enorme num país que não tem, muitas vezes, olhado nem para a memória suficientemente, nem para a memória do ponto de vista cívico e social", frisou o chefe de Estado, argumentando que "olha-se para a memória oficial, olha-se para a memória estática, rígida, mas sem envolver todos e todas naquilo que é razão de ser da Ephemera".

Perante os presentes, o Presidente da República confidenciou que entendeu que "tinha de haver um gesto informal" para, "de alguma maneira, agradecer à Ephemera enquanto instituição o que em tão curto lapso de tempo fez pelo país".

Na agenda do Presidente ficou já marcado um reconhecimento ao historiador José Pacheco Pereira "enquanto construtor de cultura" para "o dia 08 de março, perto da meia noite", a véspera do termo do mandato presidencial.

A data foi escolhida de forma a "salvaguardar a sua independência crítica", porque "entre a meia noite e a tomada de posse do sucessor, que é às 10:00 da manhã, não há hipóteses de qualquer conduta que ele possa deixar de criticar violentamente", advogou Marcelo, adiantando igualmente que "muito brevemente" fará um agradecimento a Adelino Torres.

Em declarações aos jornalistas no final da visita ao espólio, o Presidente da República adiantou que é sua intenção fazer uma doação para o arquivo que considerou ser "impressionante".

"Já prometeu várias", interrompeu Pacheco Pereira, ao seu lado.

"Mas agora vou fazer. Hoje à noite vou para casa e já tenho ideias concretas sobre núcleos, não digo que muito interessantes, não são, mas enfim, em que é possível enviar para a Ephemera", disse.

Entre os exemplos, Marcelo Rebelo de Sousa falou em 'pins' do seu filho, caixas de uma coleção da sua filha, "mais elementos que tenham alguma ligação com política", "coisas variadas" e "até CD's que tenham relação com política, bolas de futebol que tenham relação com a política - porque houve um tempo em que os partidos estrangeiros tinham bolas de futebol com os nomes dos líderes também, ou de homenagem a líderes".

"Eu fui guardando isso tudo e na dúvida não enviei para Celorico de Basto [para a biblioteca com o seu nome], vou oferecer à Ephemera e vou ver se encontro outras coisas mais interessantes para oferecer", acrescentou.

Na cerimónia estiveram presentes o antigo Presidente da República Ramalho Eanes, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, e o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Frederico Costa Rosa.

Pacheco Pereira enaltece “autonomia e independência financeira” da associação cultural Ephemera

O fundador da associação cultural Ephemera enalteceu hoje a “autonomia e independência financeira” da instituição, mas ressalvou que tal só é possível através das contribuições dos “cerca de 300 associados”.

“Afirmar um princípio básico que é nós preservarmos muito a nossa independência e autonomia, exatamente por isso temos grande liberdade para trabalhar com toda a gente”, afirmou o historiador numa intervenção.

Além do Presidente da República, estiveram também presentes na cerimónia, o antigo chefe de Estado Ramalho Eanes e a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Falando diretamente para a governante, o fundador da Ephemera salientou que o Governo tem na associação “um bom parceiro, um parceiro que deve ser ideal para todas as instituições do Estado”, uma vez que “não pede dinheiro”.

“De um modo geral nós prezamos muito a nossa autonomia e, portanto, não queremos depender em nenhuma circunstância de outras instituições, a não ser eventualmente projetos concretos que possam ter princípio, meio e fim”, frisou.

Dirigindo-se a Ramalho Eanes, o também comentador político referiu que o criticou “muitas vezes na atividade política”, no entanto, “é uma das pessoas” pelas quais “tem maior respeito”.

Já sobre o atual Presidente da República, Pacheco Pereira advogou que “ele não veio aqui buscar votos” porque “não é este o terreno ideal” para isso, nem para “acalmar […] um dos poucos críticos públicos da sua atividade”.

“Ele veio aqui porque gosta daquilo que nós estamos a fazer, e isso para nós é o mais importante. Se há coisa que eu tenho a certeza é que ele se interessa tanto por esta atividade como qualquer uma das pessoas que aqui estão e, em particular, aqueles que trabalham como voluntários no Ephemera”, notou.

Comentando a condecoração do arquivo-biblioteca com as insígnias de membro honorário da Ordem do Mérito, o fundador daquela associação cultural considerou que “é merecido porque dezenas e dezenas de pessoas gastam o seu tempo, gastam algum do seu dinheiro, gastam o seu esforço físico para garantir que isto possa acontecer”.

“Não é por mim, insisto. Eu aliás disse, quando contactado sobre esta matéria, que não queria galardão nenhum, mas que a Ephemera merecia”, assinalou, convidando o Presidente da República para se constituir como associado.

“Senhor Presidente a gente vai trazer uma proposta, não precisa de preencher tudo porque aquilo é muito complicado, mas basta lá pôr o nome e o e-mail e nós depois mandamos-lhe a conta”, brincou.

Pacheco Pereira aproveitou a ocasião para lembrar os presentes que essa autonomia e independência vêm dos “cerca de 300 associados”, que pagam “uma quota mínima absolutamente baixa”, pelo que essa capacidade vem “do número de pessoas que se associem” e da sua disponibilidade financeira.

Notando que tem falado com os “companheiros de local, com serralheiros, soldadores, mecânicos de automóvel, pessoas que trabalham em hotelaria” e que “são bem-vindos ao Ephemera sempre”, José Pacheco Pereira destacou que “uma das honras” que teve foi “ter mostrado o arquivo a pessoas que normalmente nunca teriam entrado num espaço deste género”.

Em declarações aos jornalistas, Pacheco Pereira mostrou-se “contente” com esta expansão, por si e “pelas dezenas de pessoas que trabalham aqui”, porque “quando às vezes se fala de movimentos da sociedade civil, este é um exemplo”, porque é “completamente independente, completamente autónomo”.

(Artigo atualizado às 21:09)

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