À margem de uma visita aos Bombeiros Voluntários da Guarda, no âmbito das jornadas parlamentares do PSD, Fernando Negrão foi questionado sobre uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), presumivelmente de professores, mas sem representação formal em estruturas sindicais, que já juntou as 20.000 assinaturas necessárias para se tornar projeto de lei, mas que só deverá ser debatido e votado na próxima sessão legislativa.

“O Governo diz que não há dinheiro e o que o PSD diz é: se esta é uma situação extraordinária, o Governo tem de explicar porque é que não há dinheiro, depois explicar porque é que é uma situação extraordinária, como se chegou a ela e se não tem a ver com a política de austeridade, pedir desculpa aos professores e voltar à mesa das negociações”, elencou.

Questionado se votará contra esta ILC caso se confirme que não há dinheiro para fazer a contagem de todo o tempo de serviço dos professores que esteve congelado, Negrão respondeu: “Se a explicação for convincente, isso pode acontecer”.

Instado a esclarecer se o PSD é ou não a favor do pagamento integral do tempo de serviço dos professores, o líder parlamentar do PSD respondeu que o partido “nunca faria essa promessa se soubesse que não tinha meios financeiros para fazer este pagamento”, ao contrário do que acusa o Governo socialista de ter feito.

“Deu o dito pelo não dito”, criticou.

Sobre a reunião com os bombeiros, onde foi pedida “coragem” aos deputados por parte do presidente dos Bombeiros Voluntários da Guarda, Carlos Gonçalves, o líder parlamentar lamentou que os problemas de que ouviu falar sejam os mesmos de “há dez anos”.

“Isso quer dizer que os problemas não estão resolvidos, a mim deixou-me perplexo e preocupado com as populações que podem estar sujeitas ao que aconteceu noutros momentos”, afirmou.

No entanto, questionado se o país está exatamente na mesma em matéria de prevenção de incêndios do que estava há um ano, o líder parlamentar do PSD admitiu que os portugueses “estão mais despertos” para o problema.

“Há uma mensagem de otimismo pelo facto de todos estarmos mais despertos e mais alerta para os problemas”, disse.

Na reunião - de que Negrão saiu a meio para visitar também a maternidade da Guarda -, o líder parlamentar do PSD traçou um panorama mais negro da preparação da época de incêndios.

“Os problemas base de combate aos incêndios subsistem na sociedade portuguesa e isto faz-me temer pelo que pode vir a ocorrer no curto e médio prazo (…). Nenhum de nós quer isso, mas se houver condições semelhantes, podem acontecer coisas semelhantes”, afirmou, um ano e um dia depois do grande incêndio que deflagrou no concelho de Pedrógão Grande e provocou 66 mortos e mais de 250 feridos

Em resposta ao pedido de coragem, Negrão respondeu num tom mais assertivo que o habitual: “Os deputados têm coragem, mas não querem deitar leis e dinheiro para cima de problemas que não são sistematicamente resolvidos”.

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