Em janeiro de 2020, nas primeiras eleições diretas a que se candidatou, o antigo líder parlamentar do PSD obrigou Rui Rio a uma inédita segunda volta no partido (Miguel Pinto Luz foi o terceiro candidato que ficou pela primeira volta, com cerca de 9,5% dos votos) e conseguiu 47% do partido.

Na noite da derrota, em 18 de janeiro de 2020, o antigo deputado avisou logo que não valia a pena anunciarem a sua morte política, considerando que essa notícia seria "manifestamente exagerada", mas manteve-se discreto na sua intervenção política nos dois anos seguintes.

"Era capaz de alinhar numa personagem de ficção que me permitisse voar"

As perguntas à queima-roupa da entrevista ao podcast O Sapo e o Escorpião. Pode ler a entrevista completa aqui.

O que fazem ou o que faziam os seus pais?

O meu pai era advogado, licenciado em Direito, e foi também director do Centro de Produção do Porto da RTP. Faleceu há dez anos. A minha mãe é economista e fez a sua carreira na Administração Pública, no Ministério da Saúde.

Quem são os seus inimigos?

Não tenho propriamente inimigos, mas tenho os meus adversários muito bem identificados, e esses são o Partido Socialista e as políticas socialistas.

Quem foi o pior primeiro-ministro de todos os tempos?

O Eng. José Sócrates.

Qual o seu maior medo?

Não tenho propriamente medo, mas tenho a noção do grande desafio que tenho pela frente, sinto-me capaz de o realizar, mas, naturalmente, sinto que não o conseguirei fazer sozinho.

Qual o seu maior defeito?

Não gosto muito de falar e mim, mas talvez aqui ou acolá seja um bocadinho teimoso ou, pelo menos, difícil de convencer quando tenho uma convicção muito profunda.

Qual a maior extravagância que já fez?

[Pensa] Talvez ter saltado de pára-quedas.

Qual a pior profissão do mundo?

Ser juiz. Sou licenciado em Direito e detesto julgar os outros.

Se fosse um animal, que animal seria?

Talvez um golfinho.

Quem não merece uma segunda oportunidade?

O Dr. António Costa e o Partido Socialista.

Em que ocasiões mente?

Nunca minto.

Se fosse uma personagem de ficção, que personagem seria?

Era capaz de alinhar numa personagem de ficção que me permitisse voar.

O que o faz perder a cabeça?

A deslealdade.

O que o deixa feliz?

A minha família e os meus amigos.

Tem uma comida de conforto ou de consolo?

Tenho várias [ri]. Costumo dizer que sou um bom garfo.

A que político não compraria um carro em segunda mão?

A qualquer socialista - teria muitas dúvidas.

Se pudesse ser congelado hoje e acordar daqui a 500 anos, qual seria primeira coisa que ia querer saber?

Se aqueles que vieram a seguir a mim, os meus filhos e a geração deles, tinha, de facto, vivido com mais condições do que aquelas com que eu vivo. Acho que o fim último da política é servir as pessoas, e o meu grande sonho é que aqueles que vierem a seguir a nós tenham um mundo mais equilibrado, mais justo e com mais oportunidades do que aquelas que nós tivemos.

Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, 49 anos, nasceu no Porto, mas viveu sempre em Espinho (Aveiro) e é advogado de profissão.

Montenegro estreou-se no parlamento aos 29 anos, em 2002, quando Durão Barroso era presidente do PSD e primeiro-ministro, depois de ter iniciado uma carreira política que começou na JSD e passou pela Câmara Municipal de Espinho, onde foi vereador. Nas autárquicas de 2005, candidatou-se a presidente do município, mas foi derrotado por José Mota, do PS.

Depois de ter sido ‘vice’ da bancada na direção de Miguel Macedo, foi eleito líder parlamentar após a vitória de Pedro Passos Coelho nas legislativas, em junho de 2011.

Mantém-se no cargo até 2017, tornando-se o líder parlamentar com mais longevidade no PSD, e foi no período da ‘troika’ - em janeiro de 2014 - que disse que “a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor”, frase que lhe viria a merecer muitas críticas.

Nas disputas internas no PSD, Luís Montenegro foi tendo opções diferentes: nas diretas de 2007, entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, foi mandatário distrital do ex-autarca de Gaia; um ano depois, assumiu o lugar de porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho; já em 2010 apoiou Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco; em 2018, apoiou Santana Lopes contra Rui Rio já na reta final da campanha interna, e em 2021, no próprio dia das diretas, escusou-se a revelar publicamente em quem votaria, na disputa entre Rui Rio e Paulo Rangel (reserva que manteve na atual campanha).

No final de 2017, chegou a ponderar uma candidatura à liderança do partido, quando Pedro Passos Coelho anunciou que não se recandidataria, mas acabou por concluir que não estavam reunidas as condições para avançar "por razões pessoais e políticas".

Mas logo em fevereiro de 2018, no Congresso de aclamação de Rio, Montenegro deixou um aviso de que poderia vir a disputar-lhe o lugar: “Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem que não vou pedir licença a ninguém”.

Tal como anunciou nesse Congresso, Luís Montenegro deixaria o parlamento em abril de 2018, 16 anos depois de tomar posse como deputado, e foi expressando pontualmente as suas divergências com a direção de Rui Rio.

Em janeiro de 2019, desafiou Rui Rio a convocar eleições antecipadas no PSD, dizendo que não se resignava “a um PSD pequeno, perdedor, irrelevante, sem importância política e relevância estratégica”.

O presidente do PSD não aceitou o repto para marcar diretas um ano antes do previsto, mas levou a votos uma moção de confiança à sua direção, que foi aprovada em Conselho Nacional com 60% dos votos.

Depois dessa derrota interna, terminou as suas colaborações regulares com órgãos de comunicação social e, segundo noticiou o Expresso, frequentou nesse verão um programa de gestão avançada para executivos e líderes do Instituto Europeu para Administração de Empresas em França, e manteve-se praticamente em silêncio na vida política.

Nas autárquicas de setembro de 2021 teve participações pontuais, mas longe do presidente do PSD, e não quis entrar na corrida à liderança nas eleições diretas que se seguiram, e que acabaram por ser disputadas entre Rio e o eurodeputado Paulo Rangel e ganhas pelo ainda presidente do PSD.

Na campanha para as legislativas de 30 de janeiro, apareceu ao lado de Rui Rio em iniciativas no distrito de Aveiro, manifestando-se confiante de que a vitória do PSD era possível e recusando falar, na altura, em sucessão.

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Casado e com dois filhos, o desporto foi uma paixão de juventude, tendo jogado futebol e voleibol de praia - também foi nadador-salvador -, e atualmente pratica golfe.

Na campanha interna de 2020, foi, tal como o seu adversário Rui Rio, ao programa das manhãs da SIC, onde contou à apresentadora Cristina Ferreira que a sua alcunha de infância era ‘Ervilha’ - por ser “redondinho” e ter olhos verdes - e no qual fez um dueto com Tony Carreira a cantar o “Sonhos de Menino”, garantindo que liderar o PSD não estava entre eles.

A sua alegada pertença à mesma loja maçónica do ex-diretor dos serviços de informação Jorge Silva Carvalho – na anterior campanha interna negou alguma vez ter pertencido à maçonaria – e as faltas parlamentares para assistir a jogos do FC Porto, clube do qual é adepto, e da seleção nacional foram algumas das polémicas que viveu na Assembleia da República.

Em junho de 2019, Luís Montenegro viria a ser constituído arguido – a par dos então deputados Hugo Soares e Luís Campos Ferreira - pelo alegado crime de recebimento indevido de vantagem no caso das viagens do Euro 2016, tendo negado então a prática de qualquer crime e garantido que essas viagens foram pagas a expensas próprias, num processo entretanto arquivado.

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