O presidente da Rússia, Vladimir Putin, dirigiu-se esta quarta-feira ao país, pela primeira vez após a invasão da Ucrânia, em fevereiro último, e declarou uma mobilização parcial do país para a guerra na Ucrânia.

"Cidadãos que estão na reserva e que já tiveram serviço militar ou que têm especialidades importantes irão ter mais treino para participar nas operações militares. O decreto de mobilização parcial já está assinado e a mobilização começará hoje mesmo. A decisão de lançar a operação militar especial foi necessária e o objetivo continua a ser libertar Donbass. Kiev recusou-se a negociar a paz e procura agora armas nucleares", começou por dizer Vladimir Putin, salientando depois avanços na Ucrânia. "Lugansk está quase libertado e estamos a progredir na libertação de Donetsk".

O discurso gravado de Putin, que durou cerca de 15 minutos, teve ameaças também para o Ocidente. "A Rússia deve tomar as medidas necessárias para defender a sua soberania. O Ocidente quer destruir a Rússia, mas digo-lhes isto: temos muitas armas para responder, não é um bluff. A integridade territorial da nossa terra-mãe, a nossa independência e a nossa liberdade serão garantidas, repito, com todos os meios de que dispomos. Temos armas mais poderosas que a NATO e usaremos tudo o que temos à disposição”, referindo depois que houve um momento em que a Ucrânia quis a paz, ao contrário do Ocidente.

"Estavam satisfeitos com os acordos de Istambul. Mas isso não era do agrado do Ocidente e a Ucrânia não aceitou a proposta de paz. Depois enviaram mercenários treinados pela NATO para lutarem na Ucrânia. Os militares ucranianos são treinados pela NATO, são equipados pela NATO e comandados por militares da NATO", disse.

Sobre os referendos terça-feira anunciados pelos separatistas pró-russos nas regiões de Kherson, Zaporíjia, Donetsk e Lugansk, Putin manifestou todo o seu apoio. “Faremos tudo para garantir a segurança das pessoas que querem demonstrar a sua vontade. Ali há uma política de terror e violência, os neo-nazis matam pessoas, atacam hospitais e escolas. Não podemos abandonar essas pessoas”, disse Putin, acusando o Ocidente de ter iniciado os ataques junto à central nuclear de Zaporíjia.

300 mil pessoas mobilizadas

Entretanto, já depois do discurso de Vladimir Putin, o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, confirmou a mobilização de quase 300 mil pessoas que estavam na reserva, salientando que esta medida aplicar-se-à "apenas àqueles com experiência militar anterior".

Shoigu afirmou também que todas as pessoas referidas "receberão treino militar antes de serem mobilizadas", salientando que as escolhas não vão recair em pessoas como "recrutas ou estudantes". O ministro confirmou ainda que até ao momento já morreram 5937 soldados russos.

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