Segundo um decreto divulgado hoje pelo Kremlin, e que entra em vigor após a assinatura de Putin, a participação de Moscovo é suspensa "até que os Estados Unidos cessem qualquer violação das suas obrigações nos termos do Tratado ou até à cessação da sua validade".

Washington será notificada em breve sobre esta decisão, acrescenta o decreto.

Após um ultimato, Washington confirmou no início de fevereiro a suspensão da sua participação no tratado nuclear sobre mísseis de alcance intermediário (INF), assinado em 1987 com a então URSS nos últimos anos da Guerra Fria. O tratado, que aboliu o uso de mísseis com alcance entre 500 e 5.500 km, encerrou a crise dos mísseis europeus na década de 1980, provocada pela presença de ogivas nucleares SS-20 soviéticas dirigidas a capitais ocidentais.

O governo dos Estados Unidos, apoiado pelos seus aliados na NATO, acusa a Rússia de violar o tratado com o seu sistema de mísseis 9M729. Moscovo, que rejeita a acusação, seguiu o caminho de Washington e anunciou a suspensão da sua participação.

Vladimir Putin também ordenou o desenvolvimento de novos tipos de mísseis terrestres dentro de dois anos, incluindo a adaptação de mísseis de médio alcance já existentes.

O sistema Kalibr, usado pela primeira vez em operação pela Rússia em 2015 contra os rebeldes sírios, deve, assim, ser adaptado para torná-lo uma variante terrestre. Um novo sistema de mísseis terrestres de longo alcance também será criado.

Putin também ameaçou, no final de fevereiro, num discurso no parlamento russo, implantar novas armas desenvolvidas pelo seu país para atingir os "centros de decisões" nos países ocidentais.

A Rússia alega que os Estados Unidos trabalham "ativamente" no fabrico de novos mísseis e critica a nova postura nuclear americana, que inclui o desenvolvimento de um míssil nuclear de baixa potência. A suspensão do tratado INF gera temores de uma nova corrida armamentista entre Moscovo e Washington.

Além disso, o futuro do tratado START para reduzir os arsenais nucleares, que expira em fevereiro de 2021, também está a ser questionado. "O desaparecimento do Tratado INF (...) tornaria o mundo menos seguro e mais instável, e essa insegurança e instabilidade serão fortemente sentidas aqui na Europa", alertou recentemente o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

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