"A boa notícia é que o Kremlin que uma solução negociada", disse Gerhard Schroeder à RTL/ntv, acrescentando que se encontrou com o amigo Vladimir Putin a semana passada.

"O primeiro sucesso no acordo dos cereais pode eventualmente expandir-se, lentamente, para um cessar-fogo", acrescentou.

Para o ex-chanceler, que liderou o governo alemão entre 1998 e 2005, uma solução para o conflito pode ser encontrada no tempo, "mas talvez não em 99 anos, como em Hong Kong, mas na próxima geração".

Parte da solução, aponta, pode passar por uma Ucrânia armada, fora da NATO, e neutral, como acontece com a Áustria.

Já sobre o Donbass, no leste da Ucrânia, onde se concentram os combates, a situação pode ser mais complicada.

Vale a pena referir que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já recusou ceder o controlo de áreas ocupadas pelas forças russas para alcançar um acordo de paz, tendo anunciado que irá concentrar esforços para recuperar o Donbass. Do lado contrário, também a Rússia já afirmou que a sua ofensiva na Ucrânia só vai parar quando o governo e o exército ucranianos se renderem.

Schroeder é conhecido na Alemanha pelo seu posicionamento pró-russo, tendo mesmo perdido o direito a um cargo com financiamento público por este motivo. Defensor do gasoduto Nord Stream, que serve a Alemanha com gás russo, é inclusivamente presidente do comité de accionistas do Nord Stream AG. Depois de intensas críticas, acabou por deixar, em maio, o cargo que ocupava na administração da petrolífera russa Rosneft e recusou uma nomeação para a russa Gazprom.

Recorde-se que a Ucrânia e a Rússia assinaram a 22 de julho acordos separados com a Turquia e a ONU para desbloquear a exportação de cerca de 25 milhões de toneladas de cereais retidos nos portos do Mar Negro devido à guerra em curso.

Numa cerimónia realizada no Palácio Dolmabahçe foram assinados dois documentos - já que a Ucrânia recusou assinar o mesmo papel que a Rússia - devendo o acordo vigorar durante quatro meses, sendo, no entanto, renovável.

O acordo de Istambul inclui dois documentos: um sobre as exportações de cereais da Ucrânia e outro sobre a exportação de produtos agrícolas e fertilizantes russos.

Depois de dois meses de duras negociações, os documentos visaram criar um centro de controlo em Istambul, dirigido por representantes das partes envolvidas: um ucraniano, um russo, um turco e um representante da ONU, que deverão estabelecer o cronograma de rotação de navios no Mar Negro.

O acordo implica também passar a ser feita uma inspeção dos navios que transportam os cereais, para garantir que não levam armas para a Ucrânia. O primeiro navio chegou ontem à Turquia para ser inspecionado.

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