O número de total de ignições (de fogachos e de incêndios florestais e agrícolas) iniciadas nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2017 e registadas no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) “foi de 206, 495 e 213 respetivamente”, revelou a comissão técnica independente aos incêndios no relatório entregue no Parlamento.

Para a comissão técnica, estes números são “excessivos tendo em conta a capacidade do dispositivo de combate em fazer face a um grande número de ocorrências simultâneas”, mas não diferem “significativamente dos valores históricos” verificados entre 2001 e 2017.

O relatório conclui que entre “as causas mais frequentes” das ignições estão as queimadas, responsáveis por “33,0% das ocorrências determinadas dos dias 14 a 16 de outubro e por 30,9% no período de referência”.

Quanto ao incendiarismo (ato de provocar voluntariamente um incêndio), o relatório atribui-lhe 35,9% das ignições nos três dias de outubro, contra “32,5% no período de referência”.

Os reacendimentos surgem como responsáveis por “23,6% das ocorrências nos três dias de outubro em comparação com 18,0% no período de referência”.

A comissão técnica concluiu assim que “o padrão de distribuição das ocorrências por causas (em outubro) foi muito semelhante ao que se verificou no conjunto das ocorrências com causa determinada no período 2001-2017”, mas considera “preocupante a tendência da importância crescente dos reacendimentos”.

Segundo a comissão, as queimadas mostraram nos últimos anos “uma tendência de decréscimo”, mas as percentagens invertem-se no que respeita ao “uso” para que são efetuadas.

O número de queimadas investigadas ao longo dos anos “permite saber se foram realizadas de forma extensiva para limpeza de solo agrícola, florestal, de áreas urbanizadas ou de caminhos, acessos e instalações”, para “renovação de pastagens”, para “penetração em áreas de caça e margens dos rios”, ou, se pelo contrário, foram efetuadas “de forma localizada em amontoados, as designadas borralheiras”, explica.

Da comparação de dados, a comissão concluiu que “algumas das causas tiveram um peso semelhante nos dias de outubro e no período de referência 2002-2017”, nomeadamente a queima de amontoados ou borralheiras (12,1% contra 12,5% no período de referência) e das queimadas extensivas associadas à limpeza do solo florestal (10,1% contra 12,5%).

Em contrapartida, registam-se “grandes diferenças entre as queimadas associadas à limpeza de solo agrícola e à renovação de pastagens”, pode ler-se no relatório que demonstra que “a causa da renovação das pastagens foi muito mais baixa (31,3% contra 50,5% no período de referência), enquanto a percentagem de causas associadas à limpeza do solo agrícola foi muito mais elevada (37,4% contra 14,8%)”.

Assim, embora a distribuição das ocorrências pelos principais tipos de causas em outubro seja muito semelhante à do período de referência, “as razões associadas às queimadas parecem ter sido de natureza bastante distinta”, sustenta a comissão.

O relatório sublinha que tal situação “parece suportar a hipótese de que a necessidade de limpeza de solo agrícola e a proximidade anunciada de precipitação poderão ter conduzido a um aumento de ocorrências em períodos do dia que os agricultores possam ter considerado como menos problemáticos”, mas que, por falta da precipitação esperada (que tinha sido considerada como possível pelas previsões meteorológicas) e por velocidades do vento inesperadas (mas que tinham sido previstas), “tenham originado incêndios de difícil controlo”.

A comissão técnica independente que analisou os grandes incêndios rurais de 2017 entregou hoje no parlamento o relatório dos fogos de outubro, envolvendo oito distritos das regiões Centro e Norte.

O documento, que atualiza para 48 o número de mortos nesse mês, conclui que falhou a capacidade de “previsão e programação” para “minimizar a extensão” do fogo na região Centro (onde ocorreram as mortes), perante as previsões meteorológicas de temperaturas elevadas e vento.

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