Dos 92 nomes na lista de passageiros do Tu-154, o avião que caiu este domingo no Mar Negro, o de Elizaveta Glinka provocou uma avalanche de homenagens das mais diversas personalidades, como da ex-dissidente e ativista dos direitos humanos, Lyudmila Alexeyeva, e do presidente checheno, Ramzan Kadyrov.

Desde domingo que os habitantes de Moscovo depositam flores e velas em frente à entrada, discreta, da organização criada pela "Doutora Liza", como era conhecida, e que trabalhou incansavelmente a favor dos mais necessitados, das crianças do leste da Ucrânia em guerra ou das vítimas dos terríveis incêndios do verão de 2010.

Elizaveta Glinka, que completaria 55 anos em fevereiro, viajava para a Síria para levar medicamentos ao Hospital Universitário de Latakia, que já tinha visitado em setembro. Esta cidade está localizada perto da base aérea russa de Hmeimim, destino do Tu-154, que caiu logo após descolar de Sochi.

O Ministério da Defesa russo anunciou que irá dar o seu nome a um hospital. "A Doutora Liza era amada por todos, e havia razão para isso", declarou  Mikhaïl Fedotov, presidente do conselho do Kremlin para os Direitos Humanos.

Formada em medicina na antiga URSS, emigrou para os Estados Unidos da América no final dos anos 80 com o seu marido e especializou-se em medicina paliativa. No final dos anos 90, criou uma unidade de cuidados paliativos no Hospital de Oncologia de Kiev.

De volta à Rússia em 2007, criou o fundo de caridade "Ajuda Justa", destinado a ajudar os pobres, incluindo os sem-abrigo.

O seu rosto sério, cabelo loiro curto e franja tornaram-se comuns nos meios de comunicação social.

Quando eclodiu, em 2014, o conflito na região do Donbass, no leste da Ucrânia, entre separatistas pró-russos e o exército ucraniano, visitou por várias ocasiões a área e ajudou a levar crianças para hospitais russos.

Na mesma época, visitou na prisão a piloto do exército ucraniano Nadiya Savchenko, em greve de fome numa prisão russa após ser acusada da morte de dois jornalistas russos durante o conflito, antes de ser libertada em maio de 2016 numa troca de prisioneiros.

A sua participação em operações humanitárias no Donbass ou na Síria, onde a ação de Vladimir Putin é criticada, assim como sua participação no conselho do Kremlin, valeram-lhe algumas críticas da parte de alguns representantes liberais da oposição.

"Ela cooperava com o poder para salvar as pessoas", explica Zoïa Svetova, jornalista e membro, como era Elizavéta Glinka, da direção do fundo de caridade Véra.

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