"Queridos Amigos. O nosso Zé Pedro deixou-nos hoje. Foi em paz. As cerimónias fúnebres serão sábado ao princípio da tarde".

A mensagem é dos próprios Xutos & Pontapés, banda da qual Zé Pedro é membro fundador e figura incontornável. É uma primeira reação a uma perda que está a emocionar o país. As homenagens, essas, vão surgindo um pouco por todo o lado, com as redes sociais como veículo privilegiado.

Um guerreiro "da vontade de viver"

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou hoje o seu pesar pela morte do guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, que classificou como um "guerreiro da alegria" e "da vontade de viver".

"Era um guerreiro da alegria, da vontade de viver, de superar dificuldades, de nunca desistir. Chegou cedo demais o descanso deste guerreiro, que certamente não será esquecido por tantos e tantos amigos que deixou", escreveu o chefe de Estado, numa mensagem colocada no 'site' da Presidência da República.

Depois de manifestar o seu pesar a "toda a família e amigos do Zé Pedro", lembrando que o músico "era assim afetuosamente tratado por todos os portugueses", Marcelo recorda que "os seus primeiros passos na música coincidiram com o despertar do país para o movimento punk, tendo mais tarde fundado uma das maiores bandas de rock de Portugal, e sobretudo uma das que mais tempo sobreviveu e acompanhou várias gerações".

O chefe de Estado considerou que Zé Pedro teve "um percurso excecional, sobretudo a partir de 1982, dos anos 80, e portanto, de mais de 30 anos, mais de 35 anos, compreendendo muitas gerações - que se reuniam, aliás, nos seus concertos - e fazendo também o percurso que o país ia fazendo".

"Todos nós recordamos aquilo que ele marcou no panorama musical, no panorama do rock português, mas também na sociedade portuguesa, porque em cada momento podemos identificar interpretações que tinham a ver com aquele instante da vida de Portugal. Acompanhámos ultimamente também a última tournée, nomeadamente o derradeiro concerto", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

"Ele personificou o carisma e a elegância do rock como poucos"

"O Zé Pedro partiu. Para gerações e gerações de portugueses, ele personificou o carisma e a elegância do rock como poucos", escreveu o líder do executivo português, António Costa, numa mensagem divulgada pela rede social "Twitter".

Todos poderão "continuar a ouvir o som da guitarra que nos deixou", acrescenta. "Mas nunca mais veremos o seu sorriso encantador. Os meus sentimentos aos familiares e amigos", refere o primeiro-ministro na sua mensagem.

“Uma pessoa de uma bondade extrema”

Zé Pedro “era uma figura da música portuguesa, um exemplo”, recorda o músico e vocalista dos Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal.

“O seu percurso com os Xutos, a forma como criou os Xutos, a forma como lutou para que os Xutos tivessem um nome e a forma como, depois de os Xutos se tornarem numa referência da música moderna portuguesa, do rock em Portugal, a forma como lidou bem com a fama sem nunca se trair a si próprio”, destacou.

O vocalista realçou que Zé Pedro “era uma autêntica enciclopédia” do rock e “uma pessoa de uma bondade extrema”. “Nunca o ouvi desejar mal a ninguém e [estava] sempre pronto a ajudar. Nesse sentido era muito particular. O Zé Pedro era o Zé Pedro”, disse.

"Querido Zé..."

Paulo Furtado [Legendary Tigerman] reagiu à morte de Zé Pedro através das redes sociais, onde deixou uma mensagem sentida: "Querido Zé, Obrigado por todo o carinho e amizade que deixaste no Mundo. És insubstituível, e a tua partida deixa uma ferida enorme na música portuguesa. Adeus, meu querido, obrigado por todas as bonitas palavras que trocámos", escreveu o músico no Facebook.

Submissão

Os Amor Electro decidiram despedir-se partilhando uma música dos Xutos.

"Enorme perda para a música portuguesa..."

Assim dita a mensagem partilhada pelos GNR no Facebook, acompanhada de uma fotografia de Zé Pedro.

"Viva o rocknroll!!"

O pai do rock, como é conhecido Rui Veloso, também deixou umas palavras ao "querido e antigo amigo", Zé Pedro.

"Estamos sem vontade de nada"

O desabafo é partilhado pelos The Gift. Uma coisa é certa "és e serás eterno".

"The biggest Portuguese Rocker Zé Pedro has left us today" [O maior rocker português deixou-nos hoje]

A mensagem para cá e para o resto do mundo dos Moonspell.

"Obrigada"

O adeus e o agradecimento de Ana Bacalhau

Ana Moura de coração partido

“O seu entusiasmo, carisma e empatia deixaram uma marca indelével no panorama musical português"

Zé Pedro “contribuiu de forma decisiva e inovadora para o sucesso continuado de uma das mais prestigiadas bandas rock nacionais”, afirma o ministro da Cultura, em comunicado. “O seu entusiasmo, carisma e empatia deixaram uma marca indelével no panorama musical português, com músicas que acompanharam várias gerações, que o admiram com reconhecida ternura”, afirma Luís Filipe de Castro Mendes.

“Dotado de um sentido musical notável, a música foi o seu sonho desde cedo e com ela conseguiu transformar o universo do rock português, a par da vida de muitos milhares de pessoas”, destaca o ministro, que traça o percurso do guitarrista “desde os ensaios na garagem de casa do seu avô, ainda adolescente, até aos dias de hoje, em grandes palcos portugueses e estrangeiros”. Zé Pedro “teve uma vida intensa e uma brilhante carreira ao longo de quatro décadas”.

O músico, “que dizia ter sempre as mãos ocupadas com a guitarra, deixa-nos canções, como o ‘Ai a minha vida’, ‘À Minha Maneira’ ou ‘Contentores’, que inspiram também um retrato especial do país e de um certo modo de ser português”, remata o ministro da Cultura, que envia “sentidas condolências” à família.

"Um vazio irreparável"

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio, num depoimento enviado à agência Lusa, faz a história da sua relação com os Xutos & Pontapés, e afirma que “a partida do Zé Pedro deixa um vazio irreparável”.

“A partida do Zé Pedro deixa um vazio irreparável, mas quero crer também que a força da Banda vencerá mais esta prova. Hoje, quero apenas prestar a minha sincera homenagem ao Zé Pedro e manifestar toda a minha solidariedade para com a família próxima e a alargada, a dos Xutos que é, afinal, um pouco também, a de nós todos”, afirma Jorge Sampaio, que assinou o prefácio do álbum “Aqui Xutos & Pontapés, 35 anos”, de Rolando Rebelo, editado em 2014.

“Há uns largos meses atrás tive o gosto de falar com o Zé Pedro por telefone, para o desafiar a participar num concerto solidário em prol do projeto humanitário de apoio a estudantes sírios. Não foi surpresa a sua imediata adesão à causa, antes confirmou o que sempre soube e tive por certo, que os Xutos são diferentes, únicos e incontornáveis”, recorda Jorge Sampaio.

“Foi com muita mágoa que soube, há escassos minutos, da morte do Zé Pedro". "Em 1979, na Amadora, irrompi pelo Pavilhão desportivo onde decorria uma sessão de ensaio dos Xutos. Foi assim que conheci o Zé Pedro pessoalmente, bem como ao Tim, ao Kalú e ao Zé Leonel… afinal erámos então, eles e eu, iniciantes, e estávamos a encetar as nossa carreiras, eles na música, eu na política”, recorda o político socialista. “Desta coincidência resultou, digamos, uma afeição que me levou a nunca mais perder de vista a trajetória e percurso musical dos Xutos”.

Para o ex-Presidente da República “os Xutos são um caso verdadeiramente à parte no panorama do rock português e, diria mesmo, da música portuguesa em geral”.

“Sempre admirei a sua capacidade de fazer pontes e entrecruzar pessoas, gostos, grupos, gerações bem como o seu talento e inesgotável aptidão para unir pela música e pelo som, para fazer pensar com as suas letras e contagiar multidões”.

"A generosidade era o extra que vinha com a maior das nossas estrelas rock"

Daniel Oliveira, jornalista e comentador na SIC Notícias, partilhou uma imagem do músico no Facebook e deixou uma mensagem onde destaca a generosidade de Zé Pedro.

"Era do rock que nos unia"

José Cid não quis deixar de prestar homenagem a Zé Pedro, destacando o quão afável e simpático era a estrela de rock.

"E é esta a memória que vou guardar dele; a de alguém que se aproximava, sem merdas, e que gostava de motivar as pessoas ao redor."

Uma mensagem sentida de Hélio Morais [PAUS e Linda Martini], deixada no Facebook.

Há uns anos atrás o Rolando Rebelo pediu-me para escrever um depoimento para um livro dos Xutos & Pontapés. Aceitei sem hesitar. 

"...Estava longe de imaginar que, 27 anos depois, iria tocar no mesmo palco que eles e ouvir-lhes elogios. Daquelas coisas que, quando somos miúdos, achamos totalmente utópicas e disparatadas. Mas a verdade é que estas estórias, às vezes, acontecem mesmo. Não escondo que a primeira vez foi estranhíssima. De repente, estás no mesmo palco que alguém que admiravas quando ainda davas beijinhos de mão na boca, atrás do pavilhão de ginástica. E mais que isso, perceberes que essas pessoas, as mesmas para as quais olhavas com vontade de ser como elas, estão ali, sem merdas, totalmente acessíveis e a darem-te força para o teu próprio projecto..."

Cruzámo-nos no palco algumas vezes e as palavras de apoio que menciono acima foram, quase sempre, do Zé Pedro.
E é esta a memória que vou guardar dele; a de alguém que se aproximava, sem merdas, e que gostava de motivar as pessoas ao redor.

Um abraço sentido às suas várias "famílias"

"Uma pessoa decente"

Através do Twitter, Pedro Boucherie Mendes lembra que Zé Pedro era mais do que um "rocker".

"Vamos sentir a tua falta"

Carlão está de luto, e decidiu refletir isso na sua página oficial de Facebook.

“Um grande ser humano, de coração de ouro"

O diretor da promotora Música no Coração, Luís Montez, destacou hoje o “grande ser humano”, com “coração de ouro” que foi o guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, afirmando ter conhecido na vida poucas pessoas como ele.

“Um dia triste, perdi um amigo, um grande ser humano, um coração de ouro, para mim, um santo”, disse à Lusa Luís Montez.

O diretor da Música no Coração lembrou o “bom homem” e “pessoa de empatia enorme” que existia além do guitarrista, que, apesar da sua “paixão louca pela música e pelo Rock and Roll, e tudo o que gira à volta disso, nunca perdeu os valores da amizade, da solidariedade e do perdão”. “Uma pessoa encantadora, das melhores pessoas que conheci em toda a minha vida, marcou-me para sempre”, sublinhou, referindo que tudo que sabe sobre música ao vivo aprendeu com “o Zé Pedro e com o resto dos Xutos”.

Luís Montez afirmou não conhecer ninguém que não goste dos Xutos e de Zé Pedro, e considerou que o guitarrista era “a alma, a atitude e a postura” da banda. “Se os Xutos duraram o que duraram [38 anos], muito devem a este coração de ouro que era o Zé”, defendeu.

"O sol brilhará"

Uma imagem, um refrão. A homenagem de Carolina Deslandes.

"Nunca gostei dos Xutos, sempre gostei muito do Zé Pedro"

João Quadros, humorista e cronista do SAPO24, despediu-se de Zé Pedro destacando o homem da banda.

"Nunca te esqueceremos"

A promessa é de João Gil, guitarrista e compositor português, numa mensagem de despedida partilhada através do Twitter.

"Era um gajo tão fixe"

... e está tudo dito!

"Sim, tive um poster dele em miúda"

Era uma fã "apaixonada", conheceu-o mais tarde, o que reforçou a sua convicção de que era "um gajo do Carailho!". O testemunho de Gisela João.

"A música portuguesa ficou mais pobre"

O sentimento de DJ Overule, partilhado no Twitter.

"[Uma pessoa com] enorme sentido de justiça”

O músico fundador dos Rádio Macau, Alexandre Cortez, lembra o guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, como “uma pessoa maravilhosa” e “generosa” com “enorme sentido de justiça”, que gostava de o “praticar o bem”.

“Eu recordo o Zé Pedro enquanto uma pessoa maravilhosa. Privei muito com ele, tínhamos muitas aventuras, tocámos juntos muitas vezes, viajámos juntos, e o Zé Pedro foi sempre uma pessoa com uma personalidade incrível, de uma grande generosidade, um caráter muito generoso e um caráter muito grandioso”, conta.

Alexandre Cortez recorda também que nunca se lembra de ter visto Zé Pedro a tomar uma atitude incorreta ou de ter sido alguma vez injusto. “Ele tinha um sentido de justiça enorme. Era uma pessoa com enorme sentido de justiça, que gostava de praticar o bem. Sentia-se mesmo isso nas suas atitudes. Tentava sempre ajudar os outros. Tinha sempre uma palavra de amizade, de compreensão nos momentos difíceis”, refere o músico português.

Alexandre Cortez acrescenta que Zé Pedro, enquanto amigo, foi sempre uma pessoa que me demonstrou essa amizade de ”forma incondicional”. “Nunca houve um momento qualquer que eu sentisse que ele vacilou por alguma razão”.

"Uma figura que ficará eternamente na história da música produzida em Portugal”

O radialista Henrique Amaro recordou “o sorriso" e o "fundador da maior banda de ‘rock and roll’ de Portugal”, o guitarrista Zé Pedro, fazendo paralelo entre a morte do músico português e a de ícones como David Bowie. “É uma pessoa muito importante, o sorriso e o fundador da maior banda de ‘rock and roll’ de Portugal [os Xutos & Pontapés], uma figura que ficará eternamente na história da música produzida em Portugal”, afirmou Henrique Amaro, que há mais de 20 anos tem programas dedicados à música portuguesa, em declarações à agência Lusa.

Para Henrique Amaro, a morte de um músico como Zé Pedro “é uma experiência que todos os portugueses estão a viver pela primeira vez”. “Andamos a viver a morte dos outros, dos ícones, dos pilares da nossa 'igreja' há muito – David Bowie, Kurt Cobain – mas dos nossos, dos nossos músicos elétricos, é uma experiência nova. Felizmente não temos tido essa experiência. Até agora, assim próximo desta realidade, só o João Aguardela [dos Sitiados], o João Ribas [dos Censurados] e agora, muito, o Zé Pedro”, considerou.

O radialista destacou “um lado de simpatia que extravasa e conquista todos aqueles que com ele lidaram”. “A ideia de palco e plateia numa banda gigantesca como os Xutos & Pontapés nunca aconteceu”, disse, acrescentando que Zé Pedro “foi uma das primeiras pessoas a quebrar isso”.

O guitarrista, considerou, “sempre conseguiu fazer da plateia até ao palco uma planície”. “O sorriso, a maneira de estar, antes e depois com as pessoas que gostavam ou com ele queriam conviver, foi exemplar e pedagógica para todos”, disse.

Henrique Amaro lembrou ainda que Zé Pedro “alargava o seu raio de ação a muitas outras iniciativas”. “Foi ele que fundou o Johnny Guitar junto com o Alex [Cortez], teve vontade de ter um clube de rock por sentir que Lisboa tinha essa falta, fez e produziu discos”, recordou. Além disso, o guitarrista “estava sempre ao lado daquilo que acontecia, nunca foi uma pessoa adormecida em relação às bandas emergentes – fez os Censurados, os Pontos Negros, os Lulu Blind”.

"Zé Pedro foi e continuará a ser um exemplo de frontalidade, irreverência, insubmissão"

“Zé Pedro foi uma figura marcante da cultura portuguesa. Deixa na música popular e no rock uma marca inestimável, não apenas enquanto músico, mas também como divulgador de centenas de bandas e projetos que, com o seu contributo, se apresentaram em palco, em disco ou na rádio”, enaltece o BE, em comunicado.

Os bloquistas recordam “Zé Pedro pelo seu contributo musical e pelo seu compromisso cívico, que se cruzou com o Bloco de Esquerda em lutas determinantes contra a guerra, pela descriminalização do aborto e em defesa dos direitos socais”.

“Por tudo isto, Zé Pedro foi e continuará a ser um exemplo de frontalidade, irreverência, insubmissão. O Bloco de Esquerda manifesta o seu pesar pelo falecimento, endereçando aos Xutos & Pontapés, à família e amigos as suas condolências”, conclui.

"Empenhado e solidário, marcou a sua vida pela partilha dos valores da paz e da liberdade"

A Direcção da Festa do Avante! apresentou as suas condolências e lembrou um homem que contribuiu para a "luta pela promoção e valorização da música e da cultura portuguesa."

Rádios, produtoras, festivaleiros. Quem trabalhou com Zé Pedro despede-se 

Da música ao desporto, Federação e Benfica despedem-se do músico

O Benfica e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) manifestaram hoje o seu pesar pela morte do guitarrista dos Xutos & Pontapés.

“Zé Pedro nunca desistiu, foi um lutador até ao final, tendo perdido a batalha da vida esta quinta-feira. O Benfica associa-se a este momento de pesar, endereçando as mais sentidas condolências a familiares e amigos”, pode ler-se numa nota publicada na página oficial dos ‘encarnados’, que destacam o facto de o músico ser adepto ferrenho do clube.

Também a FPF manifestou “o mais profundo pesar” pelo falecimento de uma “figura incontornável da música rock portuguesa”. “Zé Pedro esteve presente na última gala Quinas de Ouro, organizada este ano pela Federação Portuguesa de Futebol, como representante da banda que teve no tema ‘A minha casinha’ o hino oficioso da ‘equipa das quinas’ nos últimos dois Campeonatos da Europa, em que Portugal conseguiu atingir o terceiro lugar (Polónia/Ucrânia 2012) e o título de campeão (França 2016)”, recordou a entidade, em comunicado.

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