Margarida Sampaio, que já não mora na freguesia onde hoje, pela manhã, foi assistir à missa com o marido e os pais, regressou à paróquia do Cristo Rei onde foi batizada, porque “assistir à missa ‘online’ é bom, mas não é a mesma coisa”, contou à agência Lusa.

De máscara, Margarida quis assistir à cerimónia “num ambiente seguro” e junto da família e escolheu fazê-lo logo na primeira oportunidade para “gerir a ansiedade” do regresso à igreja após uma pausa de mais de dois meses provocada pela covid-19.

“Queria muito vir à missa. Sentia falta. Mesmo com distância e com as regras todas que são necessárias cumprir, quis vir”, referiu Margarida Sampaio à saída da missa que decorreu esta manhã na igreja do Cristo Rei, no Porto, paróquia que durante a semana aconselhou os fiéis que quisessem assistir a inscreverem-se de forma a poderem assegurar lugar.

Margarida fê-lo por telefone e “sem dificuldades”. Já Maria Luísa Pinho passou pela paróquia “há três ou quatro dias” para saber quais as regras deste regresso às celebrações religiosas e marcou lugar para si para uma amiga de Nevogilde, Teresa Praça, que “até podia ter escolhido ir a outra missa ou em outra igreja”, mas quis o “conforto” de ter lugar assegurado e a companhia da amiga.

“Senti confiança aqui. Confiança para voltar a frequentar as celebrações, algo que já me fazia falta. Correu tudo muito bem e foi uma celebração muito bonita”, disse Maria Teresa Praça à Lusa.

A entrada na missa, marcada para as 12:00, teve a particularidade de ser feita por uma porta diferente da dedicada à saída.

No interior, descreveram os fiéis, os bancos estavam sinalizados e os circuitos de passagem “bem definidos”.

Os modelos de regresso às celebrações religiosas têm em comum regras gerais, como o distanciamento de dois metros entre os participantes e o uso de materiais de proteção, sendo que cada confissão tem ainda de adaptar os seus rituais específicos às novas regras.

Na paróquia do Cristo Rei, além da novidade de ter de marcar lugar, Margarida, Maria Luísa e Teresa, também viveram o momento dedicado à comunhão de forma diferente da habitual.

“Colocaram um acrílico que nos separava do senhor padre, mas sendo possível vê-lo e sentir o momento na sua plenitude como desejávamos. Desinfetamos as mãos e sim, senti-me segura”, descreveu Margarida Sampaio, enquanto ao lado o marido comentava que a lotação da igreja estava reduzida “talvez a dois terços, não tendo sido preenchida totalmente”.

Também Maria Luísa Pinho, de 84 anos, e Teresa Praça, de 82, que pertencem “ao grupo de risco associado a esta doença” [referindo-se ao novo coronavírus], como frisaram à Lusa, comentaram que a organização “estava perfeita”, o que lhes proporcionou “uma sensação de segurança importante”.

“Correu tão bem. Foi ótimo regressar e tinha de regressar. É a fé. Fazia falta, mas é compreensível — e logo nós que somos do grupo de risco — que existam regras e restrições”, apontou Maria Luísa Pinho com a certeza de que vai “em princípio já no próximo fim de semana” repetir todo o ritual que agora inclui marcação, “entrada antecipada de preferência”, máscara na cara e “o frasco de álcool gel na bolsa”.

As cerimónias religiosas comunitárias regressam hoje com regras excecionais, tendo a Direção-Geral da Saúde (DGS) alertado para o “risco aumentado” de propagação do novo coronavírus.

Esta manhã, cerca das 11:00, como a Lusa constatou no local, também a paróquia de São João da Foz do Douro, no Porto, preparava o acolhimento de fiéis para a primeira celebração após a pausa causada pela pandemia.

De máscara na cara, três paroquianas além da ornamentação dos altares e da limpeza do chão, somaram às tarefas a colocação de autocolantes nos bancos a indicar quais os que podiam ser utilizados e a preparação de uma mesa à entrada da igreja, onde haverá solução alcoólica para desinfeção das mãos de quem aparecer às 19:00 para assistir à missa.

E estes são rituais que se devem repetir ao longo das várias celebrações marcadas por todo o país, sendo certo que algumas paróquias vão procurando alternativas para garantir que “o máximo de pessoas consiga assistir à missa”, como contou à Lusa o padre Almiro Mendes, de Canidelo, em Vila Nova de Gaia.

“Como temos aqui um espaço plano que nos permite colocar, com alguma engenharia e imaginação, um ecrã, vamos testar a projeção da missa para que quem quiser possa assistir dentro do seu carro”, contou.

Em Braga, João Torres, que tem a seu cargo as paróquias de Priscos, Guisande e Tadim, decidiu celebrar missa, aos domingos, num campo de futebol e em dois pavilhões gimnodesportivos. Quer “fintar” a falta de espaço nas igrejas decorrente das restrições impostas pelas autoridades de saúde.

Já em Guimarães, haverá missa aos sábados e domingos às 16:00 ao ar livre no santuário da Penha. Em comunicado os responsáveis da Irmandade da Penha garantem estar “em concordância rigorosa com as recomendações das autoridades de saúde”, mas recordam que “para participar é necessário respeitar o afastamento entre pessoas” e que “as várias mudanças serão devidamente esclarecidas pelo presidente da celebração”.

“O momento da comunhão está ainda rodeado de outras regras, sendo que os fiéis devem, na procissão para a comunhão, continuar a respeitar o distanciamento aconselhado e a higienização das mãos”, refere a nota da irmandade.

Lá fora, também há novidades em termos das cerimónias religiosas, como o retorno no domingo, ao meio-dia, da tradicional oração do Angelus, proferida pelo Papa Francisco a partir da janela do Palácio Apostólico de Roma, perante os fiéis, autorizados a reunir-se novamente na Praça de São Pedro.

Portugal contabiliza pelo menos 1.396 mortos associados à covid-19 em 32.203 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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