Na carta ao Presidente Félix Tshisekedi, o rei dos belgas apresentou o seu “mais profundo pesar pelas feridas” infligidas durante o período colonial no antigo Congo belga, um ato inédito de um monarca em exercício.

Filipe condenou ainda “os atos de violência e crueldade” cometidos sob a administração de Leopoldo II, bem como “os sofrimentos e humilhações” vividos durante a colonização do Congo pela Bélgica.

Impedidos de participar presencialmente nas cerimónias em Kinshasa por causa da pandemia da covid-19, o rei Filipe evocou, na carta que foi divulgada publicamente, o reinado de Leopoldo II que geriu o Congo e as suas riquezas como bens privados, numa época considerada particularmente brutal pelos historiadores (1885 a 1908).

“Nessa época (…) foram cometidos atos de violência e de crueldade que pesam ainda sobre a nossa memória coletiva”, escreveu Filipe.

O atual rei — que sucedeu ao seu tio Alberto II em 2013 — adiantou também que o período colonial que se seguiu à entrega da colónia por Leopoldo II à Bélgica (1908-1960) “causou também sofrimentos e humilhações”.

“Gostaria de expressar o meu mais profundo pesar por estas feridas do passado, cuja dor é hoje reavivada pela discriminação que ainda está demasiado presente nas nossas sociedades”, acrescentou.

Por seu lado, a primeira-ministra, Sophie Wilmès, desejou que a história partilhada entre a RDCongo e a Bélgica seja “debatida sem tabus, com sinceridade e severidade”.

Para além do Congo (depois Zaire a agora RDCongo), a Bélgica foi ainda potência colonial do Ruanda-Urundi, de cuja independência, em 1962, resultaram o Ruanda e o Burundi.

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