“Queremos, se pudermos, avançar com algumas destas medidas na segunda-feira. Será bom se as pessoas tiverem uma ideia sobre o que vai acontecer a partir do dia seguinte e é por isso que penso que domingo, no fim de semana, é o melhor dia”, adiantou.

Johnson falava durante o debate semanal com os deputados, alegando que as decisões vão depender da informação que vai chegar nos próximos dias e justificando-se assim perante o presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, que manifestou a sua insatisfação por esta declaração não ser feita primeiro no parlamento.

O Governo britânico decretou a 23 de março que as pessoas só devem sair de casa para comprar bens essenciais, como alimentos ou medicamentos, para fazer exercício uma vez por dia, para ajudar pessoas vulneráveis ou para trabalhar se não o puderem fazer de casa.

A decisão sobre o prolongamento deste regime tem de ser tomada até quinta-feira, com base no parecer dos especialistas médicos e cientistas que aconselham o Governo, que tem estado a preparar um plano para a reabertura de algumas atividades económicas.

Esta semana começaram a ser divulgados documentos enviados às empresas com diretrizes sobre como devem aplicar as regras de distanciamento social no local de trabalho, o que pode implicar turnos alterados, encerramento de cantinas e uso de equipamento de proteção.

O Governo instruiu entretanto as autarquias para prepararem a reabertura de centros de reciclagem para evitar a acumulação de lixo que possa resultar na descarga ilegal de resíduos.

Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, avisou os britânicos de que vão ter de se “adaptar a uma nova normalidade onde nós, como sociedade, vamos ter de nos adaptar a novas maneiras seguras de trabalhar, viajar, interagir e de continuar as nossas vidas no dia a dia”.

No debate semanal, o primeiro em que enfrentou Keir Starmer, o recém-eleito líder do Partido Trabalhista, a principal força política da oposição, Boris Johnson disse que “todas as mortes são trágicas” quando confrontado com o facto de o Reino Unido ser atualmente o país europeu com maior mortalidade resultante da pandemia de covid-19.

Porém, argumentou que não existem dados completos para fazer comparações internacionais e que “vai haver uma altura certa para olhar para as decisões tomadas e [discutir] se poderiam ter sido tomadas decisões diferentes”.

Johnson também reconheceu que o país não tinha capacidade de testagem para continuar a estratégia de rastreamento de casos e contactos para conter a propagação da doença em meados de março, mas garantiu que o objetivo agora é chegar aos 200 mil testes por dia no final de maio.

“O sistema de testagem vai ser crucial para a nossa recuperação económica a longo prazo”, vincou.

De acordo com os dados atualizados de terça-feira, o Reino Unido identificou 194.990 pessoas infetadas, das quais 29.427 morreram durante a pandemia covid-19.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.

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