A reunião da Comissão para as Contingências Civis, conhecida por COBRA e responsável por determinar medidas para situações de emergência nacional, é a primeira desde 10 de maio.

O líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, e o presidente da Câmara Municipal de Londres, Sadiq Khan, têm defendido nos últimos dias uma reunião do COBRA, que junta membros do governo com dirigentes de serviços de emergência ou outros organismos públicos.

Entretanto, um porta-voz de Boris Johnson disse que o primeiro-ministro britânico vai falar individualmente esta tarde com os chefes dos governos autónomos da Escócia, Nicola Sturgeon, do País de Gales, Mark Drakeford, e da Irlanda do Norte, Arlene Foster, esta acompanhada pela número dois, Michelle O’Neill.

Johnson está sob pressão para anunciar novas medidas para travar a pandemia covid-19, depois de o principal assessor científico do Governo, Patrick Vallance, e o diretor geral de Saúde de Inglaterra, Chris Whitty, terem hoje alertado para o risco de um “aumento exponencial” das mortes por covid-19 no país.

Numa conferência de imprensa em Downing Street, a primeira sem membros do Governo presentes, Vallance disse que o número de infeções está a duplicar em média a cada sete dias e que, se este ritmo continuar, em meados de outubro o Reino Unido poderá registar 50 mil casos por dia. 

No domingo, o Reino Unido anunciou ter registado mais 3.899 novas infeções e 18 mortes de covid-19 nas 24 horas anteriores, isto depois do sábado ter contabilizado 4.422 novos casos, o número mais alto desde maio.

“Cinquenta mil casos por dia levaria, um mês mais tarde, em meados de novembro, a 200 mortes ou mais por dia”, avisou Vallance, alertando que esta não é uma previsão de como a situação vai evoluir, mas “pretende mostrar a rapidez com que isto pode evoluir se a duplicação continuar”.

“Já existem medidas em vigor que esperamos que abrandem [as infeções] para garantir que não entramos neste aumento exponencial e acabemos com os problemas resultantes. É preciso rapidez, é preciso ação e é preciso [medidas] suficientes para reduzir os números”, vincou.

Na sexta-feira, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, não descartou decretar um segundo confinamento nacional para conter a pandemia covid-19, embora tenha considerado esta opção um “último recurso”.

Chris Whitty afirmou hoje ser importante evitar que os serviços de saúde públicos fiquem sobrecarregados com doentes de coronavírus para evitar uma redução da capacidade para tratar pacientes com outras doenças ou fazer diagnóstico, criando um impacto indireto em termos de mortalidade e saúde.

Porém, disse que o Governo e as autoridades têm de pesar as consequências de restrições mais apertadas.

“Se fizermos pouco, este vírus fica descontrolado e vamos ter um número significativo de mortes diretas e indiretas, mas se formos demasiado longe no outro sentido, podemos causar estragos na economia, o que pode resultar em desemprego, pobreza e miséria, os quais têm efeitos na saúde a longo prazo”, admitiu.

O Governo britânico começou a aliviar em junho o confinamento decretado em 23 de março e a optar pelo combate de surtos localizados com restrições em regiões do norte e centro de Inglaterra.

Nas últimas semanas, anunciou medidas a nível nacional em Inglaterra, nomeadamente a proibição de ajuntamentos com mais de seis pessoas e anunciou sanções para quem não respeitar as regras, ameaçando com multas de entre mil libras (1.090 euros) e dez mil libras (11 mil euros) para quem testar positivo ou apresente sintomas e não ficar em isolamento.

As autoridades determinaram que pessoas com sintomas, nomeadamente tosse contínua, temperatura alta ou perda de paladar e olfato, devem auto-isolar-se em casa durante 10 dias e aquelas que tenham estado em contacto próximo são aconselhadas a ficar 14 dias em isolamento.

O Reino Unido é o país com o maior número de mortos na Europa e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

Desde o início da pandemia de covid-19 no Reino Unido contabilizou 41.777 óbitos e 394.257 de casos de contágio confirmados.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 961.531 mortos e mais de 31,1 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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