Mais de 40 milhões de russos foram hoje convocados para eleger metade dos parlamentos regionais e autarquias do país, quando o Rússia Unida, o partido que controla o Kremlin, tem vindo a perder apoio popular, com as sondagens a indicar a sua derrota, no meio de acusações de corrupção e de abuso de poder.

“Se o Rússia Unida perder a maioria, o poder desses criminosos evapora-se de imediato. Temos um plano para os derrotar”, disse Navalni, dias antes de ter entrado em coma e que está agora a recuperar num hospital na Alemanha.

As eleições são vistas pelos ‘media’ russos como um ensaio para as eleições legislativas de 2021, pelo que a perda de controlo de alguns dos parlamentos regionais pode ser um severo revés para o Presidente Vladimir Putin, que tem o plano de se recandidatar a um novo mandato, em 2024.

As eleições foram marcadas pelo alegado envenenamento de Alexei Navalni, quando se preparava para deixar a cidade de Tomsk, na Sibéria, onde tinha estado a fazer campanha, expondo a corrupção de altos funcionários locais e apoiando os candidatos da oposição.

Estas eleições foram ainda contaminadas pela crise na Bielorrússia, onde o Presidente, Alexander Lukashenko, tem sido fortemente contestado nas ruas, pela forma como tem perseguido os seus opositores, depois das eleições que venceu em agosto.

“Os dirigentes russos temem que se houver uma revolução na Bielorrússia, um país com um sistema político aparentemente estável, o mesmo possa acontecer na Rússia”, disse Ksenia Fadeyeva, uma candidata da oposição ao Rússia Unida, na Sibéria.

Fadeyeva acredita que a ausência de Navalni da campanha não prejudica a oposição a Putin, já que a estrutura do movimento anti-Kremlin estava bem montada e funcionou bem durante os dias anteriores à eleição de hoje.

Há um ano, a oposição teve um bom resultado nas eleições municipais em Moscovo, conseguindo metade dos lugares na assembleia local, num sinal que antecipava a tendência de perda de popularidade do Rússia Unida.

Para o partido do poder, estas eleições são cruciais, esperando que a manutenção dos bons resultados dos últimos anos possa neutralizar a agitação popular, fomentada em grande parte pela perda de poder de compra, aumento do desemprego e por acusações de corrupção a todos os níveis do sistema político.

“As eleições ocorrem no pior quadro político dos últimos 25 anos”, disse um dirigente da organização Voto, um partido oposicionista, que acredita que Putin pode ser penalizado também pela forma como tem gerido o combate à pandemia de covid-19.

Os dirigentes do Rússia Unida acusam a oposição de se financiarem ilegalmente no estrangeiro, numa estratégia para desestabilizar o regime e procurar minar a estabilidade conseguida pela presidência de Vladimir Putin.

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