"As mudanças climáticas definirão a saúde de uma geração inteira", afirma o médico Nick Watts, responsável pelo relatório publicado na revista The Lancet.

"Se for mantido o status quo, com emissões de carbono elevadas e o mesmo ritmo de aquecimento, uma criança que nasça agora viverá aos 71 anos num mundo quatro graus mais quente em média. Isso ameaçará a saúde em todas as etapas da sua vida", escrevem os autores.

"As crianças são especialmente vulneráveis aos riscos de saúde ligados às mudanças climáticas. O seu corpo e sistema imunológico estão em desenvolvimento, o que as torna mais vulneráveis às doenças e aos poluentes", afirma Watts, do Instituto para a Saúde Mundial da Universidade de Londres.

As consequências sobre a saúde "persistem na idade adulta" e "duram a vida toda", aponta, defendendo uma "ação imediata de todos os países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa".

O estudo é a edição de 2019 de um documento publicado anualmente pela The Lancet que mede 41 indicadores sobre saúde e mudanças climáticas e foi feito em colaboração com 35 instituições, incluindo a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial.

Este ano, os investigadores concentraram-se na saúde das crianças, com a poluição atmosférica como uma das maiores preocupações.

"Ao longo de toda sua adolescência e até a idade adulta, um bebé nascido agora respirará um ar mais tóxico, causado pelos combustíveis fósseis e agravado pelo aumento das temperaturas", prevê o estudo.

Os efeitos potenciais são muitos entre as crianças, cujos pulmões estão em desenvolvimento: "diminuição da função pulmonar, agravamento da asma e maior risco de crise cardíaca e de acidente vascular cerebral".

Bactérias e mosquitos

Segundo o  estudo, "as emissões mundiais de CO2 originadas pelos combustíveis fósseis continuam a subir", com um aumento de 2,6% entre 2016 e 2018, e as "mortes prematuras relacionadas com as (partículas finas) PM 2,5 permanecem em cerca de 2,9 milhões no mundo".

Outro efeito temido pelas alterações climáticas é o aumento de epidemias de doenças infecciosas a que as crianças são particularmente sensíveis.

Um clima mais quente e mais chuvoso favorece o desenvolvimento de bactérias responsáveis por doenças como a diarreia e a cólera, assim como a propagação de mosquitos vetores de infecções.

Devido às mudanças climáticas, "o dengue é a doença viral transmitida pelos mosquitos que se propaga mais rapidamente no mundo", refere o estudo.

"Nove dos 10 anos mais propícios para a transmissão de dengue ocorreram desde 2000, permitindo aos mosquitos invadir novos territórios na Europa", segundo os investigadores.

O estudo sublinha também que o aumento das temperaturas poderia provocar fenómenos de desnutrição, devido à diminuição das colheitas e ao consequente aumento dos preços dos alimentos.

Estes investigadores julgam crucial "limitar o aquecimento abaixo de 2ºC", como prevê o Acordo de Paris. E reivindicam que os impactos sobre a saúde estejam "na primeira linha da agenda da COP25", a conferência da ONU sobre o clima que começará a 2 de dezembro em Madrid.

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