“Estes profissionais podem vir de dentro do próprio sistema de saúde, por transferência e por mobilidades, ou podem ser contratados de fora do sistema nacional de saúde”, afirmou o vice-almirante Gouveia e Melo num debate no âmbito da iniciativa “Conversas com Cientistas – Décadas de Ciência para Dias de Vacinas”.

Segundo o coordenador do plano de vacinação, este cálculo “já foi comunicado”, existindo diversas opções que, neste momento, “estão em cima da mesa e que estão a ser tratadas para garantir que esses profissionais de saúde estejam disponíveis” para a nova fase da vacinação no país que tem a meta de vacinar cerca de 100 mil pessoas por dia.

“É importante dizer que esse reforço é um reforço em cima de uma utilização dos cuidados primários de saúde de cerca de 20% dos seus profissionais”, referiu ainda Gouveia e Melo, ao assegurar que o plano de vacinação “não esgotou todos os profissionais dos cuidados primários de saúde”.

Sobre a utilização da vacina da Janssen em Portugal, o coordenador da `task force´ adiantou que a decisão da Agência Europeia do Medicamento (EMA) está a ser analisada pelas autoridades de saúde nacionais.

“Acabamos de ter a notícia das decisões da EMA, estamos a refletir sobre as consequências e o que se vai fazer. As coisas têm de ser todas ponderadas pelas autoridades de saúde, pela autoridade técnica do medicamento. É o que está a acontecer neste momento”, disse.

Vacinação diária de 100 mil pessoas “dentro de duas a três semanas”

O coordenador do plano de vacinação afirmou hoje que, dentro de duas a três semanas, será possível vacinar em média 100 mil pessoas por dia, um processo que será “complexo” pela rapidez e número de doses a administrar.

“Imaginem o que é ter um processo que mete 1% da população portuguesa todos os dias num determinado local para ser vacinada, de forma organizada e sem perturbações. Sete dias por semana sem cansaço e sem descansos”, referiu Gouveia e Melo.

O coordenador da `task force´ que coordena a vacinação contra a covid-19 falava num debate `online´ que marcou o início da campanha nacional “Conversas com Cientistas - Décadas de Ciência para Dias de Vacinas”, coordenada por um grupo de instituições científicas portuguesas em parceria com a Ciência Viva e a Sociedade Portuguesa de Imunologia.

Segundo Henrique Gouveia e Melo, a segunda fase da vacinação está a ser organizada e testada e as “indicações são positivas”, sendo necessário vacinar cerca de 100 mil pessoas diariamente, já “dentro de duas a três semanas”, para utilizar todas as vacinas que o país vai receber.

“Passamos de uma fase de detalhe para uma fase em que a fluidez do processo é a coisa mais importante”, salientou o coordenador da `task force´, para quem esta segunda fase do plano de vacinação “tem como objetivo libertar a economia e libertar os portugueses deste vírus”.

Gouveia e Melo adiantou ainda que Portugal está a vacinar já a ritmo “muito acelerado”, face às vacinas que tem disponíveis, o que faz com que o stock deste fármaco seja apenas o “mínimo de reserva para garantir as segundas doses mais imediatas”.

“Nós estamos a passar da fase de menor disponibilidade de vacinas, em que a grande preocupação era concentrar as vacinas nas pessoas mais frágeis, para uma fase de maior disponibilidade, em que a preocupação é libertar as pessoas desta pandemia e libertar a economia”, salientou o responsável da `task force´.

Segundo disse, esta segunda fase do plano vai obrigar a uma capacidade de agendar “100 mil pessoas todos os dias de forma correta e sem falhas”, o que levou à criação de um sistema de autogendamento da vacinação, “evitando ser o sistema central a encontrar as pessoas” para serem vacinadas.

“Este é um processo complexo por dois fatores que se unem: a necessidade de criar um processo massivo, em que temos de dar 20 milhões de injeções, e também pelo facto de ser urgente, face ao curto espaço de tempo em que queremos fazer isso”, disse.

Depois de admitir que os “ziguezagues” que se verificaram com algumas vacinas, como é o caso da AstraZeneca, “retiram confiança na população no processo de vacinação”, Gouveia e Melo adiantou que a `task force´ tem desenvolvido um trabalho de “comunicar, planear e organizar o processo” de vacinação.

“Eu, que sou um submarinista e que não gosto de andar à superfície - gosto de andar debaixo de água escondido -, agora, infelizmente para mim, tenho de estar permanentemente na televisão a explicar coisas e a comunicar”, disse.

Segundo anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde, mais de dois milhões de pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19, o que equivale a 20% da população portuguesa.

Um total de 2.015.225 pessoas já tomaram a primeira dose, enquanto 689.329, que representam 7% da população, já têm a vacinação completa contra o vírus SARS-CoV-2.

Em Portugal, morreram 16.951 pessoas dos 831.645 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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