Em declarações à agência Lusa, o presidente do SIM, Jorge Roque da Cunha, afirmou que “nem no tempo do fascismo havia não-justificações menos explícitas”, salientando que o conselho de administração tem o poder para tomar essa decisão mas que o fez de forma “leviana” ao demitir Alcides Pereira.

Em comunicado emitido na sexta-feira, o conselho de administração do hospital de Almada afirma que “num ato de gestão interna, e na sequência de uma atuação institucionalmente incorreta da exclusiva iniciativa do Diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia para com o Conselho de Administração, que o próprio tornou pública, teve que agir em conformidade, decidindo a cessação da sua comissão de serviço”.

A administração do hospital salienta que “na fase endémica atual, está a ser preciso reorganizar a retoma duma nova ‘normalidade’, num quadro de funcionamento diário muitíssimo exigente”.

Roque da Cunha afirmou à Lusa que no princípio de março, “os médicos do serviço já tinham ultrapassado as 150 horas semanais” de trabalho e que na reabertura dos serviços regulares, “o conselho de administração, sem ouvir o diretor do serviço, quis impor uma carga horária ainda maior e um espaçamento entre consultas que põe em risco pacientes e profissionais”.

No seu comunicado, a administração garante que “a saúde dos utentes e a segurança dos profissionais foi, tem sido e será a maior preocupação deste Conselho de Administração, que sempre dialogou com todos os grupos profissionais, Serviços clínicos e seus Diretores, e em momento algum actuou de forma não concertada com os mesmos, e muito menos à sua revelia”.

“O Conselho de Administração do HGO lamenta que um ato de gestão interna seja apresentado por um Sindicato sem que o mesmo tenha sequer tentado perceber a sucessão de eventos que conduziu à tomada de decisão em causa, colocando pares contra pares”, acrescenta-se no mesmo comunicado.

Roque da Cunha indicou que dezenas de profissionais do serviço subscreveram uma carta dirigida à administração e declaram “veemente apoio” à continuidade em funções de Alcides Pereira.

“No que é do nosso conhecimento, a discordância que pode ter ocorrido entre o Dr. Alcides e o CA resulta da sua permanente preocupação com as utentes e os profissionais do Serviço (e não só), que todos agradecem”, afirmam os profissionais na carta a que a Lusa teve acesso, apelando a que “a decisão seja revista”.

Roque da Cunha acusou a administração de conduzir uma “política de chicote” em vez de diálogo e pede “bom senso”, salientando que a unidade de obstetrícia e ginecologia do Garcia de Orta “é dos mais importantes da região de Lisboa”, recebendo as grávidas da região de Lisboa mas também a maior parte das emergências, gravidezes de risco ou partos prematuros de toda a região Sul.

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