Numa intervenção, após reunir-se com os cerca de 30 trabalhadores da histórica cervejaria portuense que lutam contra o encerramento da casa, e pelo recebimento do subsídio de Natal de 2018, e pela segunda tranche do salário de outubro, o sindicalista afirmou-se solidário e criticou a “falta de respeito” da administração a quem acusou de ter promovido um “desgaste premeditado para procurar encerrar, a todo o custo, a cervejaria”.

Pedindo a resistência dos trabalhadores, Arménio Carlos apelou “à população do Porto para manifestar a sua solidariedade", indio lá "almoçar, jantar ou lanchar, porque esta é também uma forma de demonstrar que uma cervejaria, com este nome e credibilidade, não pode fechar para dar lugar a interesses obscuros, quer da empresária quer de eventuais negócios que neste momento estejam em desenvolvimento”.

“Podemos estar, eventualmente, perante um crime económico e social que não pode passar impune e que implica, quer das autoridades correspondentes quer do Ministério Público e da ACT, uma intervenção imediata para fazer justiça e assegurar que a Cervejaria Galiza continue a trabalhar”, disse o secretário-geral da CGTP.

Para Arménio Carlos, o futuro da cervejaria depende de uma intervenção das autoridades competentes, nomeadamente a ACT, “para assegurar e responsabilizar a entidade patronal pelos salários e subsídio de Natal que não pagou”, de uma “intervenção dos credores, garantindo condições para que a empresa possa ser viabilizada e desenvolver a sua atividade” e de uma “intervenção do MP para indagar até que ponto não está em marcha uma eventual situação de crime económico e social”.

Funcionário da empresa há 38 anos, Agostinho Barbosa revelou que, desde a tentativa de a empresária “fechar a cervejaria”, e que foi “impedida pela intervenção dos trabalhadores”, esta é gerida “por uma comissão de trabalhadores” que se debatem, agora, com a “escassez de produtos”.

Afirmando “nada esperar” da administração, o funcionário disse haver “entidades no Porto que podem fazer algo pela empresa”, reclamando apoio da Super Bock que “gasta tanto dinheiro em publicidade (…)e que, neste momento, devia estar a ajudar os trabalhadores que andaram uma vida inteira a trabalhar para eles”.

Também funcionário da cervejaria, António Ferreira acrescentou estarem “a fazer uma gestão ao dia”, em que o dinheiro conseguido é aplicado para “repor o ‘stock’”.

“Temos ‘stock’ para mais dois ou três dias”, disse.

António Ferreira confirmou “três tentativas falhadas para reunir com a advogada” da empresa gestora da cervejaria, mas informou que, “em princípio vai ser amanhã [sexta-feira], uma vez que ela hoje tinha uma reunião com um dos possíveis investidores”.

Fundada a 29 de julho de 1972, a cervejaria detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense é “uma das referências do Porto no setor da restauração”, mas, ao ter alterado “para pior produtos e serviços”, colocou “em causa a qualidade e diversidade do serviço, o que levou ao afastamento de clientes importantes da casa”, figuras “de grande relevância nacional ligada à política, artes e desporto”, referiu o sindicato, num comunicado.

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