O Partido Democrata Unionista (DUP) dominou a política nos últimos 19 anos, desde 2003, mas tem vindo a ver perder terreno para o rival histórico Sinn Féin, que focou a campanha na melhoria das condições de vida e contra o ‘Brexit’.

Uma derrota do DUP, que perdeu apoio após o alinhamento com os Conservadores eurocéticos de Boris Johnson, poderá resultar num vazio no poder em Stormont, pois o partido ameaçou inviabilizar um Executivo regional enquanto o Protocolo pós-‘Brexit’ não for abolido.

Visto pelos unionistas como uma ameaça à integridade territorial do Reino Unido, o texto criou controlos aduaneiros adicionais entre a província e o resto do Reino Unido, mantendo na prática a Irlanda do Norte no mercado único europeu e na união aduaneira.

Em fevereiro, o primeiro-ministro norte-irlandês Paul Givan, do DUP, demitiu-se em protesto contra o protocolo, resultando na queda da vice primeira-ministra, Michelle O’Neill, do Sinn Féin.

O primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro têm na prática a mesma importância, pois um não pode tomar uma decisão sem a aprovação do outro, pelo que a saída do DUP do posto de primeiro-ministro tem sobretudo um peso simbólico.

De acordo com o sistema desenhado pelos acordos de paz de 1998 na Irlanda do Norte, o Governo regional tem de ser partilhado pelos partidos das duas fações do conflito, ‘unionistas’ protestantes leais à coroa britânica e republicanos católicos favoráveis à reunificação política da ilha da Irlanda.

O Sinn Féin é o antigo braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), grupo responsável por atentados bombistas que mataram centenas de pessoas entre os anos 1960 e 2000, o que já em si é motivo para aversão entre muitos eleitores.

O partido irlandês tem ainda como política fundamental promover um referendo para sair do Reino Unido e juntar-se à República da Irlanda, o que o DUP e outros partidos ‘unionistas’, bem como o Governo de Boris Johnson, querem evitar.

“O sucesso do Sinn Féin poderá ter implicações profundas no ‘unionismo’, na política britânica, para os habitantes da Irlanda do Norte, por isso é um momento significativo”, afirmou o professor de ciências políticas da universidade London School of Economics, Tony Travers.

Igualmente importante será o resultado dos partidos que não são nem nacionalistas nem ‘unionistas’, como o Alliance, Verdes e People Before Profit [Pessoas em vez de Lucro], que rejeitam o sectarismo que tem marcado a política norte-irlandesa.

Negociações para formar Governo prolongam-se normalmente durante vários meses, pois o Executivo tem de envolver os partidos mais votados e respetivas sensibilidades, muitas vezes contraditórias entre parceiros da coligação.

Ao todo, vão a votos os 90 assentos na Assembleia da Irlanda do Norte nos 18 círculos eleitorais.

As últimas eleições, em 2017, resultaram em três anos de impasse político, até ser formado um Governo regional em 2020.

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