Apesar de uma certa afluência na abertura de um escrutínio de três dias, iniciado na segunda-feira, a deslocação às assembleias de voto diminuiu na terça-feira e hoje, apesar dos vivos encorajamentos das autoridades para a participação num escrutínio que termina hoje às 21:00 locais (20:00 em Lisboa).

Os resultados apenas devem ser divulgados na segunda-feira.

Na televisão pública e na rua, canções patrióticas estavam a ser difundidas para incitar os egípcios a votar. Alguns eleitores foram mesmo contemplados com refeições gratuitas em diversas assembleias de voto, referiu a agência noticiosa France-Presse, sem identificar com precisão a origem dessas doações.

Desde o início da votação não foi divulgado qualquer número oficial sobre a taxa de participação, mas hoje, em conferência de imprensa, o porta-voz da Autoridade nacional das eleições, Mahmoud el-Cherif, referiu-se a uma “afluência massiva perante as assembleias de voto”.

Nas eleições de 2014, que decorreram entre 26 e 28 de maio, Al-Sisi, 63 anos, obteve 96,91% dos votos contra Hamdeen Sabahi, com uma taxa de participação de 47,5% segundo os números oficiais, muito contestados pelas oposições que se referiu a uma “farsa”.

Agora, apenas tem como adversário Moussa Mostafa Moussa, 65 anos, chefe do minúsculo partido liberal Al Ghad, e um fervoroso adepto do regime.

Outros potenciais candidatos, com mais credibilidade, ou foram detidos por violação da lei ou desencorajados a concorrer após forte pressão das autoridades.

Os apelos ao voto dos cerca de 60 milhões de potenciais eleitores foram permanentes, mas historicamente a participação nas eleições é muito baixa no Egito, com exceção das presidenciais de 2012, que elegeram o pró-islamita Mohamed Morsi, e as únicas que decorreram em liberdade e com garantias democráticas, com uma participação de 51,85% na segunda volta.

O ex-Presidente foi afastado num golpe militar em julho de 2013, fomentado por Al-Sisi, que depois assumiu o poder.

Neste contexto, o regime receia uma elevada taxa de abstenção, que poderá descredibilizar as eleições.

Assim, os abstencionistas que não comparecerem perante as 13.706 assembleias vão ser sancionados, anunciou hoje a Autoridade Nacional das Eleições.

“Não é nada de novo”, insistiu el-Cherif, ao invocar uma lei que pune com uma multa máxima de 500 libras (22 euros) “todos os que, sem justificação, não votem”.

Na véspera, o primeiro-ministro Cherif Ismail também exortou os eleitores a votar referindo-se a um “direito constitucional e um dever de todos os cidadãos face à nação”.

Os ‘media’ favoráveis ao regime relatam, como as autoridades, a boa organização das eleições, a ausência de problemas de segurança ou a cobertura sem dificuldades maiores para os ‘media’ estrangeiros.

Nestes três dias de eleições presidenciais – há quatro anos o escrutínio foi prolongado de dois para três dias, e quando atingia apenas 37% de participação –, os grandes ausentes foram os jovens, referiu a agência noticiosa Efe.

Esta foi uma ausência também indiretamente admitida pela autoridade eleitoral, que na terça-feira emitiu um apelo para que participassem na eleição.

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