A ideia partiu de Filipe Brás, ligado à fotografia e vídeo, que começou por fazer o levantamento de prejuízos em duas coletividades da vila de Buarcos, onde reside.

Em declarações à agência Lusa, Filipe Brás disse já ter feito uma dezena de voos desde terça-feira sobre os telhados de coletividades e associações da Figueira da Foz, e sublinhou já ter outros pedidos.

"É uma forma de ajudar quem sofreu danos com a tempestade, até para efeitos dos seguros", declarou.

Sensivelmente na mesma altura, Nuno Vicente, fotógrafo amador e autor da página "Figueira from the sky" (Figueira vista do céu, que há cerca de dois anos reúne fotografias aéreas do concelho da Figueira da Foz), pensou em colocar o seu ‘drone' à disposição de quem dele necessite, para fotografar telhados de edifícios atingidos pela passagem do furacão. Tem mantido contactos maioritariamente com condomínios de prédios "por causa dos seguros".

"O Filipe teve essa ideia e eu seguia-a", afirmou Nuno Vicente, que leva 12 voos feitos sobre escolas e habitações particulares, por um valor "simbólico" que cobre os custos de operação do drone e as deslocações aos locais.

"Não tem nenhum objetivo de ganhar dinheiro, eu digo que é meramente social, tem um custo básico de operação de 25 euros, porque um voo tem custos e o valor cobre o custo. Não cobro mão-de-obra, não cobro tempo perdido, estou aqui para ajudar", argumentou.

Explicou que cada utilização do drone - um equipamento orçado em cerca de três mil euros, mais evoluído do que os normais - tem um custo associado, até porque cada bateria do equipamento "custa 200 euros" e possui, em média, 70 ciclos [de carga] de vida útil em pleno funcionamento".

Cada voo do drone tem ainda limitações de tempo: "Sem vento e condições atmosféricas ótimas, se não puxar muito por ele, devagarinho, a bateria dura 20 minutos. Com vento agreste, no limite, são 15 minutos", acrescentou Nuno Vicente.

O fotógrafo, que possui conhecimentos de navegação aérea e tem "todos os seguros e licenças" para operar o drone - "tudo aquilo que começa a ser obrigatório já tenho há um ano", alega - admite que existe um risco associado em voar sobre telhados e que o valor que cobra "não paga nada desse risco".

Nuno Vicente deu o exemplo de um telhado "maquiavélico" no centro da cidade.

"Era um telhado triangular, com esquinas, uma coisa louca com arames a segurar chaminés. Por a câmara fotográfica ser grande angular [e obrigar a uma aproximação maior ao edifício] é um risco danado voar em telhados assim, se o drone bate num cabo pode cair e esse custo ninguém paga", observou.

Nuno Vicente diz privilegiar a segurança da operação e também questões relacionadas com a privacidade, já que, embora tenha recebido solicitações, por exemplo, de pessoas ausentes da Figueira da Foz, nomeadamente no estrangeiro, não fotografa edifícios sem que o proprietário ou comprovadamente alguém que o represente esteja presente e garanta que a casa lhe pertence.

"Tenho tido contactos de alguns emigrantes, mas uns, ou não querem pagar, querem que vá de borla e isso não faço ou não estão e não fotografo edifícios sem ter a pessoa ao pé de mim, porque isto é uma invasão de privacidade. Se a pessoa não está, não voo. E se apanhar no voo um terraço que não seja da casa, faço o ‘crop' e corto a fotografia", garantiu.

Nuno Vicente defende que o drone permite "como ninguém, obter uma prova inequívoca da destruição" provocada pela tempestade Leslie.

"Ninguém consegue chegar ao telhado como se chega com um drone", declarou.

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