“Estando o Orçamento do Estado para 2020 pendente de aprovação, inexistindo orçamento da Transtejo e da Soflusa, não foi possível progredir na negociação dos Acordos de Empresa”, adiantou a administração das duas empresas de transporte fluvial, numa resposta escrita enviada à Lusa.

Desta forma, a Transtejo e Soflusa não conseguiram dar uma resposta à proposta efetuada hoje, em duas reuniões, pelos sindicatos representativos dos trabalhadores, de aumentos salariais de 4,5%, em 2020, para todas as classes profissionais das duas empresas.

De manhã, após a reunião com a Transtejo, Alexandre Delgado, do Sindicato da Marinha Mercante, Industrias e Energia (SITEMAQ), considerou que a falta de soluções por parte da administração “não leva bom caminho”, uma vez que é a segunda vez que se reúnem e a empresa “diz que não tem coisa nenhuma”.

Esta tarde, depois da conversa com a Soflusa, também “não houve nada a adiantar”, segundo o sindicalista, que acabou por criticar a falta de ação da Transtejo e Soflusa quando o assunto é a valorização salarial.

“Nós estamos a negociar com a administração e não com o Governo. Não pode ser administração para tudo, mas quando chega à altura dos salários já não tem poder. De resto, fazem compras, vendas, trocas, têm legitimidade para tudo, mas quando chega aos salários já não têm hipótese”, frisou.

Por agora, segundo o responsável, resta esperar pela reunião agendada para 28 de novembro, para continuar esta discussão, apesar do sindicato não descartar formas de luta, caso não existam novas propostas por parte da administração.

“Se até ao dia 15 de dezembro não houver uma demonstrativa vontade de negociar, ponderamos fazer plenários com os trabalhadores e vemos o que eles decidem”, adiantou.

De acordo com a Transtejo e Soflusa, os sindicatos aproveitaram as reuniões de hoje para dialogar sobre “outras questões respeitantes à atividade do transporte fluvial de passageiros”.

Segundo Alexandre Delgado, foram levantadas questões sobre a possibilidade de as duas empresas passarem a ser geridas pela Área Metropolitana de Lisboa (AML), porque “está no Programa do Governo, mas não dizem como, quando e porquê”.

Além disso, o SITEMAQ mostrou-se preocupado com as frotas que “não conseguem andar”, mas o concurso de aquisição de novos navios “ficou deserto”.

“Os barcos eram para vir no final de 2021, mas também já não acreditamos que venham por impossibilidade técnica”, justificou.

Em fevereiro, foi publicada em Diário da República uma portaria que autoriza o concurso para a aquisição e manutenção de dez novos navios para a Transtejo, num contrato de 16 anos e de cerca de 90 milhões de euros.

Previa-se que chegariam já em 2021 três novos navios, enquanto os restantes ao ritmo de dois a cada ano, contabilizando-se dez navios até 2024.

A Transtejo assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão a Lisboa enquanto a Soflusa garante a travessia entre o Barreiro e o Terreiro do Paço (Lisboa).

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