No verão passado, o arqueólogo da Universidade do Arizona, Nicholas Reeve, publicou um artigo onde afirmava ter descoberto o paradeiro dos restos mortais da rainha do Egito, Nefertiti.

A teoria surgiu após o arqueólogo ter analisado imagens do túmulo do faraó Tutancámon publicadas pela fundação espanhola Factum Art. Reeve defendia que existiam por debaixo das pinturas da parede fissuras que poderiam indicar passagens para outras salas, onde poderiam estar os restos mortais de Nefertiti.

Reeve sempre defendeu que o túmulo do faraó Tutancámon terá sido improvisado devido à sua morte precoce aos 19 anos. Segundo o investigador, o túmulo do faraó teria sido construído originalmente para Nefertiti, que foi uma das mulheres do seu pai, o faraó Aquenáton.

Esta teoria faz cair por terra outra investigação, situada no Vale das Rainhas, onde recentemente foram encontradas duas múmias do sexo feminino, que se acreditavam ser Nefertiti e a sua irmã.

Na altura, Reeves disse à cadeia televisiva CBS que, se estivesse certo, a sua descoberta iria mudar tudo. A investigação não ficou por ali e em novembro, atavés da operação Scan Pyramids, verificou-se que a temperatura variava em diferentes partes da parede norte do túmulo, o que indicaria a presença de espaços vazios atrás das paredes.

Hirokatsu Watanabe, um perito japonês, foi quem deu continuidade à investigação. Os resultados preliminares do seu estudo mostraram que existem "90% de hipóteses de estarem duas câmaras escondidas atrás do túmulo de Tutancámon".

Na semana passada, o ministro Mamduh al-Damati confirmou, numa conferência de imprensa no Cairo, os resultados. No entanto, o ministro acredita que os restos são de outra esposa do faraó Aquenáton ou então de uma das suas filhas e não de Nefertiti.

Apesar disso, o ministro acredita que, a confirmar-se, esta será a "descoberta do século XXI” na área da arqueologia. “É tão importante para a história do Egito como para todo o mundo”, comentou al-Damati.

De acordo com o ministro, no final deste mês vão começar investigações aprofundadas no túmulo situado no Vale dos Reis, nas margens do rio Nilo, em Luxor.

Ao contrário do que aconteceu em necrópoles de outros faraós, quase todas pilhadas, a de Tutancámon, descoberta em novembro de 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, continha mais de cinco mil objetos intactos, muitos em ouro maciço com 3.300 anos.

Kimberley Watt, um egiptólogo de Cambridge, explicou ao Independent que esta pode ser uma descoberta extraordinária, não só por poderem existir objetos preciosos, criações nunca vistas e textos longos, mas especialmente porque esta é uma oportunidade única de perceber como os egitos lidavam com a morte.

Para Kimberley, as evidências arqueológicas vão permitir conhecer e compreender uma civilização que começou há mais de 5000 anos. A descoberta pode ser ainda uma oportunidade para a indústria turística do Egito, afetada pela turbulência política dos últimos anos.

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