“Na minha vida política, houve excesso, mas, sobretudo, vontade de fazer pontes, debates e diálogo”, declarou Eduardo Ferro Rodrigues, no encerramento do colóquio “Primaveras Estudantis: da crise de 1962 ao 25 de Abril”, na Reitoria da Universidade de Lisboa.

No último discurso como presidente do parlamento, Ferro Rodrigues recordou as manifestações dos estudantes contra a ditadura: “Para mim, foi um período extraordinário da vida, em que se afirmou a consciência política, a determinação na luta e a vontade das grandes assembleias de estudantes, Reuniões Gerais de Alunos (RGA), comícios, ‘meetings’ e plenários. A ditadura perdeu nesses anos o controlo sobre muitas escolas e universidades”.

O presidente da Assembleia da República disse ter sido “testemunha direta ou indireta” de tudo o que aconteceu ao longo da década de 1960, desde os bairros mais atingidos pelas “terríveis inundações” de 1967, “as grandes manifestações em Coimbra e Lisboa” em 1968, ao homicídio de Ribeiro Santos, “passando pelas prisões em massa nas manifestações”.

Ferro Rodrigues recordou as intervenções que fez naquele período e o momento presente: “Embora nessa altura nunca me tenha passado pela cabeça esta situação de hoje, nos últimos seis anos e meio pensei muito nas minhas origens e nas responsabilidades que tenho, não apenas perante os portugueses, mas também perante a geração de que fiz parte”.

No final do discurso deixou uma palavra de apreço pela democracia conquistada em 25 de Abril de 1974, pedindo que se lute “todos os dias pelo seu prestígio e a sua qualidade”.

“Obrigado e até sempre, amigos, amigas e camaradas”, finalizou o presidente da Assembleia da República.

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