“Devido ao controlo exercido pelos mercenários da empresa Wagner sobre as Forças Armadas Centro-Africanas, a União Europeia, preocupada com o respeito do Direito Internacional Humanitário, decidiu suspender temporariamente as ações de formação”, anunciou o general Jacques Langlade de Montgros, comandante da missão de formação da UE na República Centro-Africana (EUTM-RCA).

"Estes mercenários ministram formação às FACA e empregam os seus efetivos em operações. Assim, a suspensão temporária da nossa formação visa evitar qualquer sobreposição e garantir que esses mercenários não empregam os soldados centro-africanos que formamos", acrescentou o militar francês, citado pela agência France-Presse.

A formação das FACA será retomada "logo que seja garantido que os soldados centro-africanos treinados [pela UE] não serão utilizados pelos mercenários de Wagner".

Os cerca de 70 instrutores europeus da EUTM-RCA, 20 dos quais portugueses, vão regressar temporariamente aos seus países respetivos.

As ações de formação da EUTM-RCA começaram em 19 de abril de 2016 e entre 11 de janeiro de 2018 e 08 de julho de 2019, e 18 de setembro de 2020 e 11 de setembro deste ano, foi comandada pelos brigadeiros-generais portugueses Hermínio Maio e Paulo Neves de Abreu, respetivamente.

A República Centro-Africana (RCA), classificada como um dos países mais pobres do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem sido o palco desde 2013 de uma guerra civil que diminuiu de intensidade após 2018, embora largas zonas do território continuem a escapar ao controlo do poder em Bangui.

As FACA, apoiadas em particular por centenas de mercenários do grupo russo Wagner, segundo a ONU e a França, realizou desde o início do ano uma vasta contraofensiva contra grupos rebeldes que tentaram derrubar o regime do Presidente Faustin Archange Touadéra.

Segundo especialistas da ONU, os mercenários do grupo russo cometeram violações sistemáticas e graves dos direitos humanos.

Moscovo reconhece oficialmente a presença de apenas 1.135 "instrutores desarmados", mas organizações não-governamentais que operam no terreno, a França e a ONU afirmam que alguns deles são mercenários do grupo privado russo, o que a Rússia nega.

A UE sancionou na segunda-feira o grupo Wagner, bem como oito pessoas e três empresas ligadas ao grupo e justificou a medida com "ações de desestabilização" realizadas na Ucrânia e em vários países africanos.

A empresa Wagner está presente em vários países da África subsaariana, principalmente no Mali e na RCA, mas também atua na Líbia, Síria e Ucrânia.

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