Santa Marta de Penaguião foi um dos concelhos que acolheu, durante esta semana, os jovens voluntários. Para este município do distrito de Vila Real foram 58 jovens do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto.

Na aldeia de Paredes de Arcã, freguesia de Sever, Maria Isabel Silva, de 84 anos, estava sentada ao sol quando foi abordada por quatro jovens.

Depois de um primeiro olhar de desconfiança, a idosa rasgou o sorriso e começou a falar com os voluntários sobre os sete filhos, os 17 netos e os 17 bisnetos e a vida numa pequena aldeia com vista para as vinhas em socalcos do Douro.

Foi agricultora, trabalhou de sol a sol para criar os filhos, passou “muita fome” e agora vive com uma das filhas e gosta de ver gente nova a passar, mesmo que seja só por uns momentos.

Isabel Moreira, 25 anos e estudante de Medicina, foi uma das voluntárias que andou pelas aldeias de Santa Marta de Penaguião no contacto com os mais velhos.

“Está a ser muito interessante porque a cada casa que vamos é uma história diferente e muita partilha por parte das pessoas que encontramos, uma necessidade extrema de falar, de contar o seu dia a dia”, afirmou a jovem.

António Lima, de 21 anos e também estudante de Medicina, classificou a experiência como “muito enriquecedora”.

“Porque a cada casa que vamos, no porta-a-porta, recebemos sempre muito mais do que temos para dar e as pessoas ficam com uma felicidade tremenda de nos verem”, salientou.

O estudante enalteceu o quanto recebeu nesta sua primeira missão.

“Damos companhia e recebemos em troca muita experiência e conhecimento. Saímos daqui de coração cheio de várias experiências que vamos vendo e partilhando”, frisou António Lima.

Júlio Almeida, presidente da Junta de Freguesia de Sever, classificou a missão como “muito importante” para a população desta freguesia.

“Porque as pessoas estão praticamente isoladas e ficam todas contentes por verem gente nas freguesias. É uma maneira de conversarem e de conviverem”, salientou.

João Silva, 21 anos e estudante de Medicina, é um dos chefes da missão em Santa Marta de Penaguião e explicou que um dos focos da iniciativa é “deixar sementes”.

Ou seja, nas suas atividades os voluntários envolvem os jovens das localidades e querem incentivá-los a prosseguirem eles mesmos o trabalho.

“Queremos deixar aqui alguma inspiração para continuar este espírito e este projeto”, frisou.

Os jovens distribuíram-se pelas aldeias, lares e escolas e desenvolveram outras atividades como jogos, orações e teatro.

Beatriz Rocha, de 21 anos e aluna do curso de Ciências Farmacêuticas, é a chefe do teatro, a iniciativa que culmina a semana e é um presente dos jovens para a comunidade que os acolhe.

“É uma experiência única, incrível. Temos oportunidade de dar um pouco de nós aos outros, mas muito mais do que dar é o que nós recebemos da comunidade”, frisou.

O projeto Missão País começou com 20 jovens universitários em 2003. Em 2019, desde o dia 02 e até segunda-feira, são realizadas 55 missões a partir de faculdades de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.

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