Em Lisboa e Vale do Tejo, a Administração Regional de Saúde (ARSLVT) garantiu que todos os serviços de ginecologia e obstetrícia da região estavam hoje a funcionar normalmente, embora admitindo que poderiam verificar-se constrangimentos em algumas unidades hospitalares.

A ARSLVT adiantou que poderão existir limitações em alguns hospitais, o que poderá levar, num determinado período do dia, a terem de ativar o desvio de utentes transportadas por ambulância, através do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU/INEM), para outros hospitais da rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Mesmo esses hospitais que, por períodos transitórios, acionem o desvio de CODU mantêm a urgência externa a funcionar, dando resposta a quem lá se dirigir pelos seus meios, avançou a ARSLVT.

Já no Hospital Garcia de Orta, em Almada, o conselho de administração confirmou hoje que a “escala de médicos para urgência de ginecologia e obstetrícia (UGO) está garantida até ao final do mês de junho”.

“Para o mês de julho está a ser feito um esforço para que, caso haja alguma falha em escala, ela não ocorra em simultâneo nos hospitais da península de Setúbal, possibilitando assim que esteja sempre em funcionamento UGO na região”, refere a administração em resposta à agência Lusa.

No Norte e Alentejo, os serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia também funcionaram hoje com normalidade, uma situação que se deve manter no fim de semana, adiantaram à Lusa fontes hospitalares.

O serviço de urgência de Obstetrícia do hospital de Portalegre reabriu hoje de manhã e, durante as 51 horas em que esteve encerrado, não precisou de transferir grávidas para o hospital de Évora, revelou fonte hospitalar.

Já para o fim de semana, o Hospital de Santarém anunciou que terá limitações no bloco de partos e cirurgia traumatológica no sábado e domingo, mas por falta de anestesistas, o que vai obrigar ao reencaminhamento de doentes urgentes para outros hospitais da rede.

Em Braga as urgências de ginecologia e obstetrícia estão encerradas até 08:00 de sábado, um cenário que se vai repetir entre as 08:00 de domingo e as 08:00 de segunda-feira, por impossibilidade de se completarem as escalas de trabalho necessárias.

O Hospital de Braga, que perdeu cinco médicos obstetras por aposentação ou rescisão desde outubro de 2021, está a trabalhar de forma articulada com outros hospitais da região, para que a resposta aos utentes seja garantida pela rede de instituições do SNS, adiantou à administração.

No Algarve, o centro hospitalar e universitário também continua a registar dificuldades em assegurar as escalas de médicos, o que levou a unidade de Portimão a encerrar as urgências de ginecologia e obstetrícia até às 09:00 de segunda-feira.

A situação dos serviços no Algarve levou hoje à contestação pública da equipa de enfermagem da urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Faro, que denunciou os “sinais de exaustão” em que se encontra e que foram agravados com o encerramento da unidade de Portimão.

O encerramento de vários serviços nos últimos dias levou o Governo a apresentar na quarta-feira várias medidas para responder nos próximos meses a essa situação, incluindo uma proposta para aumentar as remunerações dos médicos que façam horas extraordinárias nas urgências, face à discrepância de valores pagos aos tarefeiros contratados para executarem a mesma função nos hospitais públicos.

“Um médico que faz essa função à tarefa começa a receber a partir da primeira hora. O que é proposto ao médico do SNS é que faça o serviço de urgência dentro do seu horário normal, o serviço extraordinário e, só depois de terminar o limite legal dessas horas extraordinárias, é que começa a ser valorizado de uma forma diferente”, contestou o presidente da Comissão Executiva da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Noel Carrilho.

A primeira reunião com o Ministério da Saúde terminou sem acordo e os sindicatos dos médicos avançaram hoje com uma contraproposta que deverá ser discutida no novo encontro entre as duas partes agendado para a próxima quarta-feira.

No campo político, o assunto chegou hoje à Assembleia da República, com o PSD, Chega, Iniciativa Liberal e PCP a criticarem as medidas anunciadas pelo Governo, tendo o PS acusado os restantes partidos de quererem “deitar abaixo a ministra” da Saúde.

No debate de urgência requerido pelo Chega, a ministra da Saúde, Marta Temido, recusou “explorar óbitos e sofrimento” e culpou a pandemia de covid-19 e a queda do Governo pelo adiamento de respostas para melhorar o Serviço Nacional de Saúde.

“Não vou explorar os óbitos, o sofrimento de bebés, de mães, de famílias e dos profissionais de saúde que se confrontam com situações limite e da sociedade que se confronta com a ansiedade de serviços que funcionam com alguns constrangimentos”, disse Marta Temido aos deputados.

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