Depois de uma semana de protestos e de convulsão social pela escassez de alimentos, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, anunciou à imprensa que a validação de assinaturas para ativar o referendo será de 20 a 24 de junho. Pouco depois do anúncio, o governo disse que denunciará a angariação de assinaturas, por "fraude", no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado pela oposição de ser o braço jurídico do governo.

"A primeira coisa que vamos fazer é ir à Sala Constitucional (do TSJ) para denunciar esse crime contra a Constituição", disse Jorge Rodríguez, encarregado por Maduro de supervisionar esse processo. De acordo com Rodríguez, durante a coleta de assinaturas, houve uma série de irregularidades que configuram "fraude", como a inclusão de pessoas já falecidas, menores de idade e inabilitados politicamente entre os signatários.

Os anúncios do CNE acontecem num momento de tensão crescente. Na madrugada desta sexta, saques foram registrado em Petare, a maior favela do país, no leste de Caracas. "As pessoas saem para saquear, porque estão com fome. Não se consegue nada", disse à AFP o vendedor de ovos Robert Arcila, de 22 anos, que estava perto de um caminhão de alimentos assaltado em Petare.

Suspensão em caso de violência

Ao exigir tanto do governo quanto da oposição "o respeito à integridade" do CNE, a presidente desse órgão também lançou uma advertência. "Qualquer agressão, alteração, ou geração de violência levará à suspensão imediata do processo até que a ordem seja restabelecida", declarou Tibisay Lucena.

Partidários da oposição e do chavismo enfrentaram-se com violência na noite de quinta-feira. O confronto aconteceu nas imediações do CNE, no centro de Caracas, onde 150 opositores, entre eles 30 deputados, pediam os documentos para a coleta de assinaturas. Em meio à troca de insultos, os governistas - pelo menos 50 instalados diante da entrada principal do CNE - lançaram pedras contra os opositores, desencadeando um confronto que deixou vários feridos. Os simpatizantes da oposição também responderam com pedrase enfrentaram os governistas com socos.

A Guarda Nacional agiu, estabelecendo um cordão de isolamento que separou os grupos momentaneamente, até ser rompido pelos chavistas. Os opositores foram, então, obrigados a dispersar.

O presidente Maduro culpou a oposição pelos confrontos e ameaçou prender todos os "provocadores". "Condeno a violência ocorrida hoje no centro de Caracas, produto da ação da direita, e peço ao povo que não ceda às provocações", disse Maduro durante uma manifestação diante do Palácio Presidencial em apoio aos programas sociais do governo.

Maduro reafirmou que a oposição quer gerar uma "espiral de violência nas ruas" para derrubá-lo e exortou seus partidários a manter a calma, porque o país "vai seguir em paz".

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