“Todos sabemos que se quisermos manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5 graus (Celsius) temos de reduzir as emissões globais. E há uma forma de o fazer, ao mesmo tempo que se incentiva a inovação e o crescimento – colocar um preço no carbono!”, sublinhou Von der Leyen no seu discurso de abertura da conferência da ONU sobre alterações climáticas (COP28), que decorre no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Ursula von der Leyen explicou que o preço do carbono “empurra o setor privado para a inovação”, ao mesmo tempo que faz com que os grandes poluidores paguem um preço justo, gerando receitas que podem ser reinvestidas na luta contra as alterações climáticas, na inovação e numa transição justa.

“Não é apenas uma das ferramentas mais poderosas que temos nas nossas mãos, é também uma das mais experimentadas e fiáveis”, reconheceu, antes de salientar que “governos de todos os continentes embarcaram numa viagem semelhante”, como no caso da Zâmbia, Canadá, China, Nova Zelândia e Cazaquistão, entre outros.

Apesar de já existirem 73 mercados de carbono em todo o mundo, Von der Leyen salientou que estes “apenas cobrem 23% das emissões globais”, uma percentagem que apelou a que fosse aumentada para se conseguir uma redução mais rápida das emissões.

“Esta percentagem irá criar condições equitativas para o comércio internacional e aumentar as receitas para a ação climática global, incluindo nos países em desenvolvimento”, afirmou.

Para que mais países adiram ao sistema, a presidente da Comissão Europeia apresentou a experiência da UE, onde, em 18 anos, as emissões abrangidas por este sistema “diminuíram quase 40%, enquanto a economia continuou a crescer” e foram obtidos mais de 175 mil milhões de euros em receitas, que são utilizadas “exclusivamente” para a ação climática, incluindo nos países em desenvolvimento.

Von der Leyen considera igualmente necessário que os capitais privados sejam canalizados para estes créditos de carbono, mas reconhece que os investidores precisam de ter a certeza de que se trata de projetos eficazes.

Por isso, defendeu o estabelecimento de normas comuns para os projetos que reduzem as emissões.

Consciente de que a COP28 é um momento “essencial” para avançar em direção a estes objetivos e para estabelecer o quadro de cooperação internacional e um ponto de referência “sólido” para os mercados de créditos de carbono, Von der Leyen apelou à “união de forças” neste empreendimento comum, uma vez que “nenhum país o pode fazer sozinho”.

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