Artur Jorge (campeão pelo Paris Saint-Germain em 1993-1994) e Leonardo Jardim (que levou o Mónaco ao título da Ligue 1, em 2016-2017) são nomes incontornáveis no futebol francês e mundial. Menos conhecido do grande público, Rui Almeida é um treinador português que emerge entre as duas referências lusitanas e começa a escrever a sua própria história em França.

Soma mais de 100 jogos no banco (feito igualmente alcançado por Artur Jorge e Leonardo Jardim), ao serviço de três clubes: Red Star, Bastia e atualmente o Troyes, clube com o qual terminou em 3º lugar na Ligue 2, contabilizando esta temporada 14 jogos sem conhecer a derrota, 12 jogos sem ser derrotado fora de casa e quatro vitórias consecutivas fora de “muros”, garantido o acesso ao play-off de acesso à principal divisão do futebol francês (Ligue 1).

A equipa da cidade da região de Champanhe, a 1h30 de Paris, polo de indústria têxtil e conhecida pelos outlets, caso vença o jogo no dia 24 frente ao vencedor do jogo entre o 4º e 5º classificado do segundo escalão (Paris FC-Lens), enfrentará o antepenúltimo da Ligue 1 (que pode ser o Mónaco, de Jardim, que joga hoje cartada decisiva frente ao Amiens) a duas mãos, primeiro na casa do vencedor do play-off da Ligue 2 e o segundo jogo na casa do antepenúltimo da Ligue 1, nos dias 30 de maio e 2 de junho.

Nas vésperas da última jornada do campeonato francês (conseguiu um empate caseiro a zero frente ao Ajaccio) Rui Almeida falou ao SAPO24 sobre a carreira, Jesualdo Ferreira e do momento que decidiu “ganhar asas” e ir para França.

Antes de aterrar, sozinho, em França, passou por vários clubes nacionais como adjunto no Estoril, onde trabalhou com Litos, Tulipa e Daúto Faquirá, Trofense (reencontrando Tulipa e sendo integrado na equipa de Vítor Oliveira e Daniel Ramos).

Em 2010, deu um salto para a Síria. “Foi um patamar diferente. Fui selecionador Olímpico e estava no projeto para Londres”, uma experiência de dois anos interrompida em 2012 “por causa da guerra”, recordou. “Ainda fiz o percurso dos play-offs, criei laços de amizade com os jogadores. Saí. Não havia condições para trabalhar”, rematou.

Nesse instante tocou o telefone. Era um convite de Jesualdo. “São os cruzamentos da vida. O Nuno Espírito Santo saiu da equipa técnica do Jesualdo...”.

Entrou. E com Jesualdo Ferreira viajou até à Grécia (Panathinaikos) e Egipto (Zamalek), “campeonatos intensos em que os clubes lutavam por títulos” e em que “conquistamos a dobradinha no Zamalek”. Pelo meio, entre os dois países, uma passagem pela “fase conturbada do Sporting (2012-2013) onde lançamos o Bruma, Dier e o Llori” e “Braga”, na época seguinte.

Olha para Jesualdo com quem dividiu o dia-a-dia durante mais de três anos e vê “um bom professor, um bom mentor”, salientou. Não é por acaso que trabalhar ao lado “Professor” pode ser visto com uma boa rampa de lançamento para as principais ligas europeias. “Por exemplo, o Espírito Santo e José Gomes”, citou, ambos a treinar em Inglaterra, no Wolverhampton e Reading, respetivamente.

“Todos nós somos embaixadores"

A relação laboral era forte. Até que, Jesualdo Ferreira seguiu para o Qatar e Rui Almeida achou que era tempo de ganhar autonomia. “Recebi um convite de França (Red Star) e segui caminho, sozinho agora”, explicou.

“Não sei se tarde, se cedo. Comecei aos 26 anos na formação, como adjunto profissional. A capacidade não se mede pelas competições onde competimos. Veja-se o Bruno Lage”, referiu Rui Almeida, 49 anos, ele que se vê na “escola de Jesualdo Ferreira”.

No caldeirão de influências que bebeu, a fórmula passa por “meter na panela muita coisa e depois somos melhores a atualizar e refletir”, adiantou. “O contexto dos jogos muda ao longo dos anos, as ideias evoluem, há coisas novas a estudar e a pensar. E quanto mais competitivas são as ligas, mais obrigados somos a ser competitivos”, salientou.

“Quando comecei, queria treinar no centro da Europa. E todos nós queremos treinar nos melhores campeonatos, no top-5 (Espanha, França, Alemanha, Inglaterra e Itália)”, rematou. “Devemos ser seis treinadores nas ligas top-5 e 300 no mundo inteiro”, compara. Mas “todos nós somos embaixadores”, atirou.

Em França os “convites foram uns atrás dos outros”. Conversou com Leonardo Jardim antes de dar o primeiro passo. Sente-se “bem” no país onde a exigência “é grande” e há “poucos treinadores estrangeiros” que “ou apresentam resultados, ou não têm hipótese”.

Resultados é algo com que pode ficar descansado. Sem contabilizar a última jornada, no ano civil de 2019 das 2ª divisões dos top-5, ocupa o 2º lugar do ranking (2,28 pontos em 18 jogos). Números que atiram a formação gaulesa para o top-10 se se juntar com as principais divisões das 5 ligas principais, somente atrás do PSG, Liverpool, Osasuna (equipa que milita na 2ª divisão espanhola), Bayern de Munique e Manchester City.

Olha para a Ligue 2 e salienta que só “perde para o Championship (2ª divisão inglesa) por falta de glamour financeiro”, rematou Rui Almeida.

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