Bancadas do Dragão meio despidas, FC Porto praticamente na máxima força, Feyenoord nem por isso (muitas lesões, principalmente na baliza). Estes foram os dados lançados nesta fria noite de dezembro antes do jogo em que, no Dragão, os portistas procuravam garantir lugar na fase seguinte da Liga Europa, juntando-se aos já apurados Benfica, Sporting e Braga.

Este jogo apresentava algumas diferenças face à partida da primeira volta, em que o Feyenoord bateu os dragões por 2-0, num jogo em que o desperdício do FC Porto foi a razão principal para os comandados de Sérgio Conceição não saírem da Holanda com um resultado diferente.

Para além das mudanças nos onzes apresentados por ambos os conjuntos (explicados pelas já mencionadas lesões e por opções técnicas), a principal diferença foi talvez a relativa ao homem que se senta no banco dos holandeses: depois da saída de Jaap Stam no final de outubro (na sequência de uma copiosa derrota por 4-0 frente ao Ajax), a turma de Roterdão passou a ser comandada pelo veterano Dick Advocaat, que nos sete jogos seguintes não perdeu nenhum (três vitórias e quatro empates).

E depois do jogo começar, notou-se também outra diferença: a da capacidade do FC Porto conseguir concretizar oportunidades de golo. Se no jogo de Roterdão os dragões desperdiçaram uma série de chances, no jogo desta noite estavam já a vencer por 2-0 aos 15 minutos.

O primeiro golo surgiu por Luís Diaz, que respondeu da melhor forma a um cruzamento de Alex Telles da esquerda (o brasileiro foi primorosamente isolado pelo calcanhar de Marega), ainda que o guarda-redes holandês pudesse ter feito melhor.

Dois minutos depois, novo golo da equipa orientada por Sérgio Conceição: Soares trabalhou sobre a esquerda, foi entrando na área holandesa e cruzou a bola para a área onde de forma aparentemente inexplicável o jovem lateral Malacia introduziu a bola na sua própria baliza, quando não estava pressionado por qualquer atacante portista.

Tudo bem encaminhado para o futuro do FC Porto na Europa, certo? Nem por isso.

A reação holandesa começou por surgir de bola parada. Na sequência de um canto, o central brasileiro Botteghin foi lá à frente e reduziu de cabeça para 2-1, aos 19 minutos.

E três minutos depois, foi Malacia a redimir-se do erro do segundo golo dos dragões e a assitir Larsson para o empate na partida. Aos 22 minutos de jogo o público do Dragão já tinha assistido a quatro golos, num jogo frenético que com certeza entusiasmava quem estava a ver em casa ou no estádio, mas que deve ter deixado ambos os treinadores à beira de um ataque de nervos.

Contudo, os golos nesta primeira parte não ficaram por aqui. Numa jogada a fazer lembrar a do primeiro golo – não pela jogada em si, mas pelas “mãos de manteiga” do guardião do Feyenoord –, Soares voltou a colocar o FC Porto em vantagem quando empurrou de carrinho e à bola da baliza um remate que o guarda-redes dos holandeses voltou a não ser capaz de segurar.

A primeira parte terminou assim e na segunda o ritmo frenético não se manteve, ainda que Corona tenha enviado uma bola ao poste... da baliza de Marchesín, provocando calafrios às bancadas do Dragão, que voltariam a sofrer pouco depois quando Narsingh surgiu na cara do guardião argentino para este fazer uma grande defesa e evitar o empate.

Os holandeses carregaram no final, encostaram o FC Porto às cordas, mas a verdade é que foram incapazes de voltar a incomodar Marchesín, terminando a partida com o resultado que as equipas recolheram ao balneário no final da primeira parte.

Voltando ao título deste texto (e à letra de "Duía", a música que lhe serviu de inspiração), a verdade é que o "fartote" de golos do jogo desta noite serviu para alguns jogadores mostrarem "o seu forte": boas exibições de Luis Diaz, enquanto teve pulmão, Alex Telles, sempre acutilante a atacar, e Marchesín, um felino entre os postes que evitou males maiores para os portistas.

Contas feitas, os dragões estão nos 16-avos de final da Liga Europa, que vão contar com quatro equipas portuguesas numa autêntica invasão lusa ao sorteio de 2.ª feira em Nyon.

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

Não foi uma noite fácil para Nick Marsman. Chamado à titularidade do Feyenoord nos últimos jogos devido à onda de lesões que afetou os holandeses na baliza, o guardião do clube de Roterdão teve algumas - bastantes, vá - responsabilidades no primeiro e terceiro golos dos Dragões, não sendo capaz de suster - ou, pelo menos desviar para fora do caminho da sua baliza - os remates de Luis Diaz (que deu em golo) e de Otávio (que também deu, ainda que apenas na sequência da recarga de Tiquinho Soares). Noite difícil para o guarda-redes contratado neste temporada ao Ultrecht, onde também não era um habitual titular.

Marchesín, a vantagem de ter duas mãos

É estranho que um jogo com cinco golos tenha como principal protagonista um guarda-redes? Talvez, mas a verdade é que Marchesín foi absolutamente decisivo no jogo que carimbou a passagem do FC Porto à fase seguinte da Liga Europa. Os seus reflexos impediram que, na pior fase dos dragões, a meio da segunda parte, o Feyenoord conseguisse chegar ao 3-3.

A rapidez com que recolheu a bola que Corona enviou a um dos seus postes e a defesa que fez ao remate de Narsingh são provas disso mesmo, ainda que o golo com que, na altura, o Rangers ia vencendo o Young Boys não colocasse em risco a qualificação portista em caso de empate (a partida em Glasgow acabou empatada a uma bola, contudo).

O argentino é, sem dúvida, uma das principais figuras da equipa de Sérgio Conceição e na partida desta noite mostrou o porquê dos portistas terem desembolsado mais de sete milhões de euros para o resgatar ao América do México no verão passado.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

Marega não é um jogador normalmente reconhecido pelas suas qualidades técnicas. O maliano é, antes de mais, um poço de força, capaz de capitalizar toda a sua capacidade física para fazer golos e "moer" as defesas contrárias. Contudo, o seu toque de classe para Alex Telles no lance do primeiro golo portista, isolando o lateral esquerdo brasileiro de calcanhar antes de este assistir Luis Diaz, mostram que Marega, às vezes, também pode apresentar bons pormenores técnicos, capazes de fazer inveja a muito fantasista inconsequente que por aí anda. E só não fez uma assistência para Luis Diaz, também de calcanhar, porque o colombiano não conseguiu desfeitear a baliza de Marsman no início da segunda parte.

Nem com dois pulmões chegava a essa bola (VAR, precisa-se - Parte II)

Já no jogo da passada jornada, frente ao Young Boys, uma jogada em que Marega foi autenticamente atropelado por um suíço dentro da área teria tido um desfecho diferente - leia-se, marcação de penálti - se o VAR fizesse parte das "ferramentas" dos árbitros nesta fase da Liga Europa. Desta vez, o VAR (tantas vezes odiado quanto desejado, é certo) também teria dado jeito, nomeadamente quando durante a primeira parte Sinisterra "amorteceu" um remate portista com a mão quando estava estendido no relvado, impedindo assim o golo portista. É uma jogada que, admite-se, pode ser confusa de acompanhar no relvado, mas que o VAR poderia resolver. Para quando, UEFA? Para quando?

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