"Após as revelações dos casos de abuso sexual infantil perpetradas no clube nos anos 70, definimos como nossa intenção fazer o que é certo - apoiar totalmente as pessoas afetadas e realizar uma investigação exaustiva sobre o que ocorreu para garantir que abusos como este nunca mais voltem a acontecer".

É assim começa a nota publicada no site do Chelsea sobre o resultado da investigação externa aos casos de abusos sexuais no clube na década de 70.

O caso não é único e inclui-se numa série de denúncias que ocorreram em Inglaterra. O processo foi desencadeado por declarações do ex-futebolista Andy Woodward, que admitiu ter sido molestado sexualmente em criança, quando jogava no modesto Crewe Alexandra. O desabafo de Woodward foi secundado por outros ex-futebolistas ingleses, que apontaram ainda o nome do ‘olheiro’ Eddie Heath, já falecido, que integrou a equipa técnica do Chelsea na década de 70, como um dos abusadores.

O Chelsea, assumindo ser hoje um "clube muito diferente" do que era nos anos 70, diz não esquivar-se das suas responsabilidades pelo que aconteceu no passado e diz que quer "iluminar os cantos escuros da história do clube", assim como colocar de forma transparente todos os casos em cima da mesa e não deixar nenhum escondido.

Partindo desta premissa, o clube publica a investigação, levada a cabo por Charles Geekie QC, na íntegra. No relatório final, são dados detalhes de 23 vítimas sobre como Heath abusou crianças entre os 10 e os 17 anos de idade. "É evidente a partir da análise que Heath era um prolífico e perigoso abusador de crianças. A sua conduta foi além de repreensível", pode ler-se.

O relatório é ainda bastante crítico para com o antigo treinador adjunto do clube Dario Gradi, acusado de não denunciar o comportamento sexual de Heath que lhe foi revelado por um parente de um jovem jogador do Chelsea. A investigação classifica tal comportamento como uma "oportunidade perdida de expôr Heath e prevenir futuros casos".

Para além deste relatório, o Chelsea publicou outro, em simultâneo, em que denuncia graves casos de discrminação racial para com os jogadores negros entre 1982 e o final da década de 90.

Em comunicado, o clube pediu desculpa pelas "terríveis experiências de alguns dos seus antigos jogadores" e comprometeu-se a assegurar compensações para as vítimas, assim como a implementar uma série de recomendações para que nenhum episódio como este volte a acontecer.

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