“É como o Championship Manager na vida real”, diz Marc White, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. A menção ao popular videojogo, onde os jogadores podem tomar as rédeas de um clube e levá-lo à glória desportiva, não é por acaso, pois a história do Dorking Wanderers assemelha-se muito àquelas protagonizadas em ecrãs de computador por todo o mundo.

Conta o empresário que a ideia de formar este clube na pequena cidade de Dorking, parte do condado de Surrey, ocorreu-lhe depois do histórico Wimbledon, equipa que apoiava, descer de divisão em 1999 — o emblema acabaria mesmo por desaparecer, numa controversa mudança de cidade, de Londres para Milton Keynes, passando a chamar-se MK Dons.

Órfão de clube, o empresário e futuro dirigente desportivo decidiu meter as mãos na massa e, juntando-se com um grupo de amigos, formou o Dorking Wanderers, e assumiu, desde a sua formação, o papel de dono e de treinador da equipa.

Num espaço de duas décadas, esta formação desportiva passou de competir numa liga amadora e num campo alugado a 50 libras o jogo, para chegar à National League South, apenas a duas promoções da League Two — divisão que marca o início dos escalões profissionais da English Football League — e instalados no Meadowbank, estádio novinho em folha, com bar, fan zone e capacidade para 3.000 pessoas.

Pelo meio, o clube conseguiu obter 11 promoções de divisão — cinco das quais com títulos de campeão —, passando da intraregional West Sussex League para a Sussex County League (que inclui equipas de todo o condado) e desta para a Isthmian League (onde jogam equipas da região de Londres, de este e de sudeste do país). Foi vencendo esta competição na temporada passada que carimbaram a sua passagem para a National League South.

Contudo, este não foi um trajeto fácil, como Marc White descreve ao The Guardian. Com o crescimento, veio a necessidade de se expansão e a burocracia que a acompanha. “À medida que sobes pelas ligas, tens de ir construindo infraestrutura. Começámos em Big Field [o primeiro campo]. Fomos promovidos, portanto tivemos de meter uma corda à volta do campo! Depois esta passou a ser uma barreira fixa, depois foi necessário instalar pavimentos, holofotes, lugares… e agora estamos num estádio para 3.000 pessoas”, contou o empresário ao jornal britânico.

A mudança de estádio foi um desafio em si mesmo, para além de todas as provações desportivas. “Era literalmente só um terreno” em que “não havia nem eletricidade, nem água, nem nada”, conta Marc White, relativamente à segunda casa que o clube teve, em Westhumble. O processo de desenvolvimento, diz, foi “um pesadelo” porque “cada poste, cada lugar, teve de ser autorizado”, mas apesar do desafio, o dirigente conseguiu pedir conselhos a David Beckham, lenda do Manchester United que investiu no Salford FC, através de um amigo próximo, Callum Best, filho do mítico George Best, também ele um “red devil”.

Hoje, o Dorking Wanderers joga no Meadowbank, estádio recuperado que outrora pertencera ao Dorking FC, uma equipa local que acabou por se extinguir e juntar-se aos pupilos de White. Com o seu crescimento, o clube tornou-se também um importante agregador comunitário, sendo que se encontram neste momento 1.150 crianças inscritas na sua academia. “Os filhos dos meus antigos colegas de equipa estão inscritos. Temos orgulho nisso. Não nos podemos vender nem colocar o sucesso acima da sustentabilidade. Já nos ofereceram montes de dinheiro”, indica Marc White, para rematar que este tem sido aceite com cautela pois não quer que o clube “entre de rompante na League Two e depois vá por aí abaixo”.

Neste momento, o grande objetivo é a estabilidade, apesar da subida para a National League ser um objetivo tangível — neste momento, o Dorking Wanderers encontra-se em quarto lugar, com 24 pontos, o que já lhe dá acesso aos Play-Offs. Porém, com isto chegam outras responsabilidades. “Só para ficarmos nesta liga vamos precisar de construir outra bancada. Se passarmos aos play-offs, temos de arranjar ainda mais lugares”, informa Marc White.

Uma eventual subida obrigaria Marc White — que até já despertou a cobiça de clubes de divisões acima — a dedicar-se a tempo inteiro ao clube, sendo que se tal ocorresse “teria de sentar-se e perceber como fazê-lo”. Mas se tal ocorrer, não será algo propriamente novo para si, já que “este tem sido o caso tantas vezes” nos últimos 20 anos.

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