Até à 18ª jornada da presente época foram despedidos oito treinadores: Rui Vitória (Benfica), José Peseiro (Sporting), Jorge Simão (Boavista), Lito Vidigal (Vitória de Setúbal), Cláudio Braga (Marítimo), José Mota (Desportivo das Aves), Nuno Manta Santos (Feirense) e Daniel Ramos (Desportivo de Chaves).

O Observatório de Futebol da Universidade Europeia conduziu o estudo “As chicotadas psicológicas na Liga NOS” e concluiu que, nesta época, até ao início da 2ª volta, Benfica (Bruno Lage), Boavista (Lito Vidigal), Desportivo das Aves (Augusto Inácio) e Chaves (Tiago Fernandes) conquistaram mais pontos por jogo após o despedimento do treinador.

No caso do Benfica, de Lage, e o Boavista, de Vidigal, à melhoria pontual (nas águias, de 2,73 para 3 pontos em média por jogo e de 0,89 para 2, nos axadrezados) acrescenta-se mais golos marcados por partida, quase o dobro relativamente aos seus antecessores. Com Rui Vitória a equipa da Luz concretizava 2,07 golos por jogo, enquanto sob o comando de Lage a fasquia foi elevada aos 4,73. Com Jorge Simão sentado no banco, os boavisteiros concretizavam 0,67 golos/jogo, um número que cresceu para os 1,2 sob a batuta de Vidigal.

Em sentido inverso, Sporting (Marcel Keiser), Setúbal (Jorge Andrade) e Feirense (Filipe Martins) pioraram após a “chicotada psicológica”, ou seja, a média de pontos por jogo decresceu após o despedimento do anterior treinador. Os leões passaram de uma média de 2 pontos por jogo para 1,85, enquanto a formação de Setúbal decresceu de 1,6 para 0,6 e o emblema de Santa Maria da Feira de uma média de 0,7 pontos passou para zero.

A análise estatística ao “novo” comando nos leões, sadinos e fogaceiros, aproxima-se do padrão que se verifica no futebol português de acordo com o estudo que considerou todos os jogos dos clubes onde se registou uma mudança de treinador durante as épocas desportivas de 2016-2017, 2017-2018 e 2018-2019 (esta última até à 18ª Jornada).

créditos: Comparação do número de pontos, golos marcados e golos sofridos por jogo com o anterior treinador e até à presente data das equipas | Observatório do Futebol da Universidade Europeia

Ou seja, apesar de favorável a curto prazo (três jogos que se seguem ao despedimento), não existem alterações no rendimento das equipas em Portugal com a substituição do treinador, conclui a análise.

É que embora arranquem com quase o dobro dos pontos (1,3 quando comparado com os 0,7 dos seus antecessores nos três jogos que antecedem a “porta de saída”), a longo prazo, isto é, nove jogos depois, o efeito positivo da “chicotada” tende a desaparecer, não existindo diferenças significativas entre a média de pontos nos nove jogos antes e depois da troca de treinador.

Relativamente ao rendimento das equipas, outra das variáveis analisadas, o estudo “As chicotadas psicológicas na Liga NOS” demonstra que a grande alteração surge, a curto prazo, na baliza, do lado de quem defende, verificando-se uma diminuição do número médio de golos sofridos.

Do lado do ataque, nos remates na bola em direção às redes, ou no que toca à posse de bola, ao invés, não existem diferenças após a mudança de timoneiro, nem a curto nem a longo prazo.

O estudo conduzido pelo Observatório do Futebol da Universidade Europeia teve por base os dados recolhidos na plataforma WyScout e analisou a média a curto prazo (3 jogos) e longo prazo (9 jogos) dos pontos, golos marcados, golos sofridos, número de remates, e posse de bola (%), número de cartões amarelos, número de cartões vermelhos dos jogos imediatamente antes do despedimento do treinador (pré-chicotada) e imediatamente após mudança de treinador (pós-chicotada).

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